Vook?

O mercado editorial não vem deixando por menos e em plena era da tecnologia, do visual e claro da internet, vem nos surpreendendo a cada dia. Mais ou menos a três semanas atrás publiquei aqui no blog um post sobre trailer de livros, uma maneira atraente e atual de atrair público leitor. O dinamismo que o setor editorial vem consolidando nos últimos anos chega a surpreender até aos mais recatados e conservadores leitores.

Tudo indica que a velocidade com que novas formas e formatos editoriais serão cada mais responsáveis por cativar novos leitores, por estar alinhada com o contexto em que estes novos amantes da literatura se inserem.

Penso que o livro vem experimentando um nível de interatividade e contemporaneidade como nunca poderíamos sequer imaginar. Um exemplo interessante reside no conceito denominado VOOK. Nascido da junção das palavras Vídeo + Book o VOOK vem prometendo revolucionar a forma como nos relacionamentos e devoramos nossos livros.

Interatividade, movimento e ação são apenas alguns dos pilares do VOOK que abre caminhos para se consolidar como ferramenta importante de sedução aos novos leitores, jovens e inseridos a cada dia mais cedo no mundo colaborativo da web.

Separei dois vídeos interessantes sobre VOOK que acredito serem bons exemplos para ilustrar mais essa inovação do mercado editorial e que em breve certamente estará em nossos smartphones, tablets, TV`s, dentre muitos outros eletrônicos que estão por ai. Aproveitem os vídeos.

Para Ler: Lançado no Brasil Biografia de Virginia Woolf

Não poderia haver momento mais oportuno para a chegada ao Brasil da Biografia da autora Virginia Woolf do que as festas de fim ano. Propositalmente ou não o livro de Herbert Marder sem dúvidas deverá ser um dos presentes favoritos daqueles não largam um bom livro e principalmente dos que admiram Virginia Woolf como escritora.

Comecei a ler a obra de Virginia Woolf por pura curiosidade. Como economista durante os tempos de estudante, estudei e li muito, como todo aluno de economia, sobre Maynard Keynes, também inglês e um dos principais pensadores de todos os tempos no campo das ciências econômicas. Não me lembro onde me deparei com a referência à obra de Virginia Woolf, mas em alguma de minhas leituras da época li que Virginia Woolf formara em sua casa um grupo de discussão entre amigos chamado de Círculo de Bloomsbury do qual participaram o poeta T. S. Eliot, o crítico de arte Roger Fry e o economista John Maynard Keynes.

Logo após terminar todo o período das provas em que ficava concentrado restritamente à leitura de autores da área econômica, fui em busca dos títulos da escritora Virginia Woolf. Li primeiramente As ondas (1931) e daí por diante fui lendo mais algumas obras e experimentando todo vigor dos escritos da autora.

Abaixo segue a referência da biografia de Virginia Woolf que apesar de ainda não tido a oportunidade de ler, tenho certeza de que será um excelente presente. De minha parte já preparei para coloca-lo como lista de desejos em algum amigo oculto por ai, quem sabe não dou sorte e se tiver me comportado algum papai noel me presenteia com ele no natal? Abaixo os dados da publicação:

Título: Virginia Woolf: A Medida da Vida

Autor: Herbert Marder

Tradução: Leonardo Fróes

Texto de orelha: Maria Rita Kehl

Idioma: Português

Editora: Cosac Naify.

Recomendo o link com infográfico sobre a trajetória de Virginia Woolf feito pelo jornal Estadão que pode ser acesso pelo link:

http://www.estadao.com.br/especiais/a-trajetoria-de-virginia-woolf,133871.htm

Para aqueles insaciáveis, abaixo seguem os livros da autora:

Livros

A viagem (The Voyage Out) (1915)

Noite e dia (Night and Day) (1919)

O quarto de Jacó (Jacob’s Room) (1922)

Mrs. Dalloway (1925)

O Leitor Comum (The Common Reader) (1925 – Primeiro volume)

Rumo ao farol (To the Lighthouse) (1927)

Orlando – Uma biografia (Orlando: A Biography) (1928)

Um Teto Todo Seu (A Room of One’s Own) (1929)

As ondas (The Waves) (1931)

O Leitor Comum (The Common Reader) (1932 – Segundo volume)

Flush (Flush: A Biography) (1933)

Os anos (The Years) (1937)

Roger Fry (1940)

Entre os atos (Between the Acts) (1941)

Contos Completos (1917-1941)

Sobrenatural

Chegou em casa do trabalho com uma carga extra de tensão, elétrons saltavam fora de sua órbita cerebral, fugindo da intensa reação eletromagnética desencadeada por sensações estranhas que o incomodaram durante todo o dia. Sem saber a origem exata de todo aquele peso extra, jogou-se no sofá e então passou por um breve cochilo.

Acordou sem saber por quanto tempo permanecera ali sentado sozinho meio adormecido meio lúcido refletindo sobre todos os acontecimentos do dia. Foi então que sentiu novamente a sensação estranha que o incomodara durante todo o dia. Levantou-se, alongou o corpo dolorido e ao abrir os olhos devagar, olhou para o sofá de veludo preto e se viu ainda deitado lá adormecido. Num súbito arranco respirou como se tivesse prendido a respiração por tempo demais e estivesse a beira de sufocar. Tudo escureceu e sentiu que iria desmaiar e não viu mais nada.

Acordou novamente. A sensação de sufocamento apagara da memória o ocorrido e não mais se recordava de ter veistoa si mesmo dormindo no sofá tendo acordado da primeira vez. Sem preocupar-se com o sufocamento durante o cochilo, pensando ser mais um episódio de apneia durante o sono, resultado do cansaço e do stress, levantou-se e foi vagar pela cozinha a procura algo para comer. Realizara uma busca completa sem encontrar nada que o apetecesse para aquela hora e contentou-se com uma generosa colherada de leite condensado.

Continuou a vagar pela casa percorrendo o caminho rotineiro de todos os dias. Saiu da cozinha, passou pela sala, pegou a mochila, subiu as escadas. Chegando ao segundo andar da casa teve um insight, um lampejo, algo como um flash. Lembrou então que naquela noite acordara duas vezes. Como seria possível isso acontecer? Lembrou-se de ver a si próprio deitado no sofá adormecido, mas isso não fazia lógica alguma e pensando estar enlouquecendo se perguntou:

- Como posso ter acordado e ao levantar me deparar comigo mesmo ainda adormecido no sofá?

Continuou a vagar pelos cômodos do segundo andar, passou pelo escritório, biblioteca e por fim chegando ao corredor que dava acesso ao seu quarto se deparou novamente consigo mesmo, mas dessa vez não mais adormecido e sim acordado, de pé bem ali na sua frente. Um frio intenso começou a tomar conta de seu corpo, suas pernas estremeceram, aos poucos viu os sentidos se esvaírem um a um. Não conseguia entender o que se passava e teve medo de tentar se comunicar consigo mesmo ou com aquele outro eu que estava diante dele. Sentiu um pequeno choque bem no meio de seu cérebro, sua visão foi ficando turva, a respiração lentamente foi cessando enquanto o coração acelerado já demonstrava medo.

Alguns segundos se passaram e William desmaiou de vez. Durante os nano segundos de sua queda tentara entender sem sucesso como poderia haver dois Willians no corredor? O que estava acontecendo com ele?

O corpo caiu! William perdeu os sentidos. Estirado no chão, sozinho em casa, respiração fraca, sequelas e escoriações da queda…

Morto ou vivo? Sonho ou surrealidade? Delírio ou sobrenatural? O corpo caiu, no chão William permanece desacordado. Apesar de morar sozinho, repentinamente e sem explicação, surge um homem alto vindo do corredor, passos firmes, pouco cabelo, olhar enigmático, ares malignos e mãos que mais pareciam garras. O homem aproxima-se de William, vira seu corpo, olha bem para seu rosto. Imediatamente um frio intenso toma conta de sua região abdominal, enquanto paradoxalmente sua cabeça aquece deixando suas orelhas quentes e seus olhos ressecados e também vermelhos. Sem reconhecer a casa e nem ao menos conseguindo lembrar como fora parar ali, o homem coloca William no quarto, tenta reanimá-lo e quando William acorda… Continua…

Trailer de que?

Já faz algum tempo venho pesquisando e tomando contato com novas formas de me relacionar com a literatura. Essa busca de início mera curiosidade foi evoluindo chegando hoje a ser necessidade constantemente presente em meus dias. A paixão por livros e literatura me fez enveredar por caminhos nada convencionais e não raro às vezes acho que me transformei em uma pessoa excêntrica demais ou quem sabe até meio doido mesmo.

O fato é que minha vontade de promover a literatura e sua magia tem dado alguns bons frutos. Um dos principais deles foi a descoberta de que é possível com alguma criatividade tornar a leitura algo tão atraente como qualquer outro meio de difusão cultural. Aqui no blog vou passar a postar mais sobre essas experiências e descobertas de soluções que podem ajudar a disseminar o interesse e a regularidade da leitura nas pessoas, principalmente nos jovens.

A descoberta que relato aqui hoje é na minha opinião uma adaptação das mais criativas. Algumas editoras tem se esforçado na criação de trailers de livros que são lançados. A função do trailer é divulgar o lançamento do livro de maneira mais interessante, utilizando para isso mídias com alcance de massa maior do que as resenhas publicadas em jornais, revistas ou mesmo os sites, ainda muito estáticos (WEB 1.0?) das editoras.

Com o vídeo (trailer) cria-se um ambiente amistoso àqueles ainda iniciantes na leitura e facilita a disseminação da divulgação em redes sociais como Twitter, facebook ou sites de vídeo como VIMEO ou YouTube. Estando presente em redes sociais com linguagem moderna e vídeos bem dirigidos, as editoras atngem um público até então alheio aos lançamentos, dado o contato ainda muito tímido e em alguns casos até inexistente com resenhas e outras formas convencionais de divulgação de lançamentos editoriais.

Pode parecer ambíguo divulgar lançamento de livros em trailers como filmes de cinema e alguns mais céticos podem até mesmo duvidar de sua efetividade como meio de propagação de lançamentos, mas nesse ponto peço desculpas aos céticos de plantão, pois na minha opinião essa ideia ainda vai descobrir muito leitor preso em seus armários virtuais na web como Twitter, Facebook, Blogs ou YouTube. A meu ver redes sociais, filmes, blogs e web nada mais são que meios de comunicação onde a leitura está e sempre estará presente, seja em apenas 140 caracteres ou em grandes vídeos com legendas e outros tantos mais. Abaixo dois exemplos de trailers de livros. O primeiro compartilhado pelo usuário do YouTube de nome FelipeCaspian que ao que tudo indica foi fruto de produção independente e de muita qualidade a meu ver. O Segundo mostra vídeo da editora companhia das letras muito bem produzido. Aproveitem!!!

Leitura: paixão, diversão, vício e salvação

Pequenas coisas feitas com cuidado, carinho e competência movem o mundo, nos tiram da inercia de nossas vidas e invariavelmente são responsáveis por demonstrações genuínas daquilo que realmente somos e acreditamos.

Hoje uma iniciativa simples, (não faço aqui menção depreciativa, muito pelo contrário) transformou o dia fazendo ressurgir em mim um sentimento ingênuo, que há tempos não experimentava. Fez voltar aos tempos de menino, fez lembrar do tempo quando tudo o que importava era gostar de fazer algo.

Fazia de graça, nem elogio cobrava, muito menos esperava mais do que o simples prazer em fazer. E pela vida as vezes esquecemos como é bom fazer algo apenas por gostar de fazer. Fazer sem esperar recompensa, fazer por amor, fazer por festa, doar-se. E mesmo quando doamos acabamos por receber em troca o cansaço como pagamento, mas não aquele cansaço que esgota, mas sim aquele cansaço de conquista, vitória, prazer.

Após muito navegar pelas redes sociais foi então que encontrei uma espécie de portal. Entrei e fui levado a um manifesto muito peculiar. Nada de documentos burocráticos, nem petições online ou abaixo assinados, nada disso! Fui levado a um manifesto pela cultura, pelo prazer de ler, pela leitura, pelos livros, enfim um manifesto como há muito não encontrava na internet.

A favor da leitura publico esse post. A favor da leitura vou divulgar o vídeo abaixo e peço aos poucos que passam por aqui que façam o mesmo. Vamos transformar o mundo em um lugar melhor, vamos divulgar nossos livros favoritos, vamos incentivar a leitura! Boa leitura!

Os créditos pelo vídeo são de Marcos Felipe.

 

Novos amigos, velhos amigos

Nunca fui ao menos até agora, uma pessoa das mais saudosas. Sempre resistente, alimentei certo sentimento de desapego pelas coisas desde muito cedo. Estranhamente acreditava ser possível simplesmente isolar-me daqueles momentos em que sofremos angústias e desilusões em nossas amizades, relacionamentos amorosos ou até mesmo no uso de nossos objetos pessoais, livros, ambientes virtuais e outras tantas tralhas com as quais vivemos o cotidiano de nossa vida. Acho estranha a relação que passei a ter com certos objetos com os quais me relaciono tão intensamente particular, que por vezes acredito ter enlouquecido.

Para aqueles poucos que perdem o tempo lendo as bobagens mal escritas e completamente irrelevantes deste blog, não apresentará novidade alguma o fato de eu dizer que possuo uma relação íntima demais com os livros. A novidade agora é que recentemente passei essa obsessão, mania, ou seja como for que os psicanalistas nomeiam essas coisas, com quadros. Quadros com pinturas na expressão concreta da arte e outros muitos compostos apenas de figuras impressas de obras que podem ser compradas pela internet que de acordo com minhas preferências fui selecionando, contemplando e com algumas poucas acabei comprando, emoldurando e pendurando pelas paredes da casa. Sempre me intriguei com o fato de tratar os livros praticamente como pessoas amigas que sempre quando necessário estão disponíveis para aconselhar-me, divertir-me e até mesmo me instruir profissionalmente. Agora como se já não estivesse com manias demais passei a esboçar e a considerar os quadros da mesma forma.

Ainda esta semana surpreendi a mim mesmo parado por um tempo que não serei capaz de precisar, fitando aquele quadro pendurado na parede como se por esse tempo eu estivesse sido transportado para o momento retratado na pintura. Parado ali, por tempo indeterminado o qual não sei precisar, invadi a realidade da criação do artista, passei a sentir em todas as dimensões e sentidos aquela obra, tornei-me parte dela numa experiência única até então. Ao “acordar” senti algo diferente, estava sereno sentia que de alguma forma aquela experiência transformara-me. E foi assim que aos poucos retornei aquela outra realidade, estava novamente na minha sala, fitando a pintura, novamente a vendo como uma simples obra de arte.

Acho que nunca vou conseguir explicar alguns sentimentos que tenho e nem mesmo sei se gostaria ou suportaria a explicação deles, mas de uma forma ou de outra haverá sempre boas lembranças e bons momentos merecedores de um texto, mesmo que mal escrito, para gravar esses momentos em que tenho como amigos: autores, pintores, livros e quadros a me socorrer com seus conselhos, me distrair com suas viagens, aventuras e tramas e formar como pessoa: mente e espírito, realidade e ficção.

Vivendo e atuando: Eu personagem de mim

Eis que um rompante, um átomo que se parte, um vento que sopra, um conselho que recebemos e tudo muda inexplicavelmente. Somos então chamados a abandonar a inércia da nossa rotina e a mesmice das horas perdidas com bobagens e todo tipo de amenidade dispensável. Não é fácil assumir e reconhecer que é momento de mudar, de dar aquela guinada na vida para promover algo inovador rompendo os laços da acomodação tão presentes nos dias monótonos de nossa existência excessivamente regrada, conservadora e sem graça.

Fui pego inesperadamente por um desses rompantes de mudança, de uma hora para outra, vindo do nada, sem aviso, sem reservas e de maneira muito mais direta do que poderia esperar e assimilar sem que deixasse o medo e minhas inseguranças aflorarem a ponto de interferir até em minhas mais primitivas funções orgânicas. Atraído para o interior de uma espécie de abismo negro vou em queda livre para dentro de mim mesmo sem esperanças de haver um fim nisso tudo. É então que mergulho em sensações obscuras que trazem a tona o medo, a insegurança a vontade de fugir de tudo, de largar tudo e todos e por mais que lute permaneço paralisado com medo do resultado de toda essa mudança que chega levando para longe toda a calmaria dos dias de mesmice e rotina.

Passado algum tempo de queda, ainda aflito promovo um rompimento com o subjetivo, controlo o emocional, relaxo, situo-me na imensidão do nada que me tornei, elimino e escuridão e encontro-me novamente. Passo então a reconhecer as sensações, relembro vagamente o que sou e o que fui e assim o obscuro vai se dissipando, torna-se turvo e vou definindo-me novamente.

Ainda em queda, sinto maior suavidade, a velocidade da queda fora reduzida e tento encontrar racionalidade na situação, começo e identificar o caminho, a reconhecer o cenário escuto os sons vindos dos camarins, vejo então o fim do abismo. Lá no fim vejo tons de vermelho sague, feixes de luz que vencem a resistência da cortina e então escuto os sons da bengala na madeira, três batidas fortes, uma campainha.

A queda reduz ainda mais a velocidade, passo a enxergar tudo de forma muito nítida, vejo o fim do abismo e a cortina vermelha. Os feixes de luz já tocam meu rosto e sinto o ambiente escuto e o burburinho. Olho para os lados e sei exatamente onde estou, sei quem sou, escuto novamente as batidas de bengala no palco de madeira e a campainha toca mais uma vez. É então que a cortina se abre, as luzes foram apagadas, estou no palco mais uma vez, olho para frente e um refletor me cega, abro os olhos e estou em casa, em meu quarto. Acordo de mais uma noite de sono, o show vai começar novamente, eu atuando como protagonista da minha própria vida, mais um dia que se inicia.

Desabafo!

Tenho tanto para ler e estudar que em alguns momentos entro em pânico! Não costumo me alarmar com facilidade, mas ultimamente tenho sido levado por um verdadeiro tsunami que chega e arrasta tudo que vê pela frente. Se por um lado o imprevisível e falta de rotina sempre me motivaram, por outro tenho sentido os revezes de conviver diariamente com uma sobrecarga do imprevisível, do inusitado e do inesperado.

As ações externas que fogem ao nosso controle crescem num verdadeiro assalto àquilo que racionalmente um indivíduo esclarecido, racionalmente e emocionalmente equilibrado pode suportar. Por mais preparo psicológico que eu possa ter, sempre sinto como vítima desses acontecimentos e por vezes me sinto conduzido por caminhos desconhecidos. É nesse momento que por um instante necessito desligar, reiniciar o sistema na tentativa de me situar novamente no mundo, às novas exigências e cobranças sociais, às novas tecnologias, novas formas de fazer as mesmas coisas de sempre, novos comportamentos das pessoas próximas, enfim, tudo novo mudando o tempo todo,  a toda hora, minuto e segundo.

Hoje vejo que os momentos a só estão cada vez mais raros, estou sempre conectado a alguma coisa ou pessoa, sofro sempre intervenções de tudo e de todos e às vezes por um descuido nem me reconheço direito. Passo por mim mesmo e não me vejo, olho no espelho e não me reconheço com facilidade. Percebo traços e jeitos meus, mas que não remetem ao que eu sempre pensei ser ou ao que fui no passado, mesmo que o passado seja algo a apenas um segundo atrás.

Sinto-me casado disso tudo, anseio pelo simples, pelo trivial, anseio por mais de mim  mesmo, mas não do sou agora! Anseio pelo aquilo que fui, simples Eu e simples o mundo meu, sem as conexões e interatividade, sem precisar atuar, apenas sendo Eu mesmo. Com defeitos com qualidades coisas boas ou ruins, não importa! Importa para mim apenas que seja simples, que seja Eu!

[ProsaEconomica] – Artigo compartilhado: Réplica

Réplica

maio 31, 2011

tags: postado por Luiz Henrique Pacheco

por Prosa Econômica

Muito embora a atividade intelectual dê temperança em muitos momentos para lidar com o embate de ideias, há momentos em que a arrogância aliada à preguiça intelectual nos faz surtar. Isso aconteceu comigo duas vezes num intervalo inferior a doze horas e com uma única pessoa, o jornalista Paulo Moreira Leite, o “Paulino” como é afetuosamente chamado pela apresentadora Marília Gabriela, do Roda Viva, programa da TV Cultura.

A primeira situação ocorreu ontem. O economista Eduardo Giannetti da Fonseca que eu tenho em grande conta concedeu uma entrevista ao referido programa de entrevistas. Muito lúcido e comedido, com intrincada lógica argumentativa, quando não era interrompido pelos afoitos entrevistadores, o Professor Giannetti respondia com cordialidade as questões muito mal formuladas. Mas o jornalista Paulinho se excedeu e ficou indignado com as declarações publicadas por Giannetti na imprensa de que o PIB de 2010 não é tudo aquilo que se dizia, entendendo que as declarações tinham cunho eleitoral e nenhum fundamento econômico.

A segunda ocorreu quando o nosso internauta Anderson Mattozinhos nos enviou um link da matéria de hoje do Paulino “Economistas erraram de novo”, que está no site da revista Época.

Pois bem, o nobre colunista claramente não está iniciado nos conceitos mais básicos de teoria econômica, proferindo tautologias do tipo: “o setor exportador é responsável por trazer os dólares.” Ou interpretando segundo a sua regra de juízo a teoria keynesiana do emprego. E o pior, mostrando total desconhecimento da teoria das expectativas para a formação da inflação, nem tendo o trabalho de fazer uma rápida pesquisa para descobrir por que existe um centro de meta inflacionária e dois intervalos limitados (teto e piso). Eu acredito que ele deve ser especializado em política, pois claramente seus argumentos tendem para aspectos políticos.

A sua estrutura argumentativa, é construir uma alegoria de “profissionais da oposição”, em geral, economistas que faziam declarações públicas para atacar o governo Dilma, dizendo que esses tratavam as políticas do BC com “ironia e sarcasmo”.

Quem tenta usar a ironia e o sarcasmo nessa crítica é ele, mas sem sucesso. Nesse caso particular, se de fato tivesse lido Keynes, poderia ter pegado algumas dicas de retórica.

O objetivo do artigo dele é sugerir uma autocrítica aos economistas. Ele mais uma vez parece desconhecer que a autocrítica na nossa profissão é muito comum e profícua. Os marginalistas criticaram os clássicos e romperam com a teoria do valor. Keynes criticou os neoclássicos e mais uma vez houve grande ruptura na teoria econômica. Até na historiografia econômica brasileira recente há autocrítica. Os intensos debates dos monetaristas no fim da década de 80 permitiram um plano econômico maduro em 1994 para tirar a economia da anomalia hiperinflacionária.

Eu queria sugerir uma autocrítica à classe dos jornalistas também. Um texto como o do Paulo Moreira jamais seria publicado num grande site se a figura do editor de redação inspecionasse o conteúdo dos blogs dos conglomerados de notícias. Grave desconhecimento em um assunto que se quer criticar aliado à deselegância é pior do que uma previsão mal entendida pelo jornalista.

Eu poderia me alongar no texto, mas como já fui prolixo demais, sugiro aos leitores do blog para não perderem seu tempo lendo esse tipo de jornalista, que é cheio de som e fúria, mas pouco preciso ou, por que não, vazio nos argumentos.

Artigo publicado no blog ProsaEconomica [http://prosaeconomica.com]

Link para artigo: http://prosaeconomica.com/2011/05/31/replica/

[ProsaEconômica] – Artigo compartilhado

O artigo acima foi publicado no blog ProsaEconômica (http://prosaeconomica.com) tendo sido fomentado por um artigo que li no site da Revista Época, escrito pelo Jornalista Paulo Moreira Leite que utiliza um veículo respeitável e de credibilidade como a revista para expressar seus julgamentos pessoais e juízos de valor. Não obstante a postura nada profissional e ética do jornalista, o mesmo em artigo com nome: “Economistas erram de novo” ainda aproveitou para humilhar e ofender em flagrante falta de ética todos os economistas que como qualquer outra profissão merece respeito!

Agradeço ao ProsaEconomica pelopost, pela qualidade da resposta e por me citar como fonte.

Anderson Mattozinhos