Le fabuleux destin d’Amélie Poulain

A sétima arte sempre me emocionou. Quando assisto a um filme verdadeiramente entro em plena sintonia com os personagens e durante aquele instante em que a trama se desenvolve me envolvo por completo. É então que não importando se no cinema, a sós ou acompanhado, na presença de estranhos ou desconhecidos reajo, choro e me enfureço em cumplicidade com os personagens.

Para aqueles que não me conhecem antes de iniciar definitivamente o post é importante informa que tanto para música como para cinema tenho preferências nada lineares. Isso quer dizer que transito facilmente entre filmes de heróis, ação, aventura, suspense e drama. Apesar do perfil eclético é inegável que alguns filmes nos transformam mais que outros e a sessão de cinema em casa ontem trouxe um desses filmes, digamos mais transformadores. O leitor deve estar se perguntando a essa altura, qual filme responsável pela transformação ao ponto de merecer um post aqui? O filme Le Fabuleux Destin d’Amèlie Poulain (França 2001) foi o culpado. Sentença e condenação dadas vamos ao que interessa.

A história se passa em Paris e conta a história de Amèlie Poulain, jovem que fora criada pelos pais em regime de isolamento em sua casa, por desconfiarem que ela possuía doença cardíaca. Depois de crescida e independente Amèlie passa a ajudar as pessoas que estão à sua volta ou que de alguma forma fazem parte de seu cotidiano. O que ela não poderia imaginar é que todo o bem que causara acabaria por criar um forte elo entre ela e as pessoas às quais ajudou e por fim determinaria seu destino culminando em um interessante final em que o desfecho amoroso da personagem atinge seu ápice. Terá sido feliz no amor? Terá sofrido forte desilusão? O fim deixo a cargo do leitor a descoberta.

História de enredo simples e por vezes até inocente, o filme tem um magnetismo impressionante e ao final de 120 minutos deliciosos na companhia de Amèlie Poulain somos levados a um mundo desconhecido para alguns e pouco visitado por outros: o mundo mágico e harmonioso das amizades descompromissadas e verdadeiras. Um belíssimo filme que certamente e por nossa sorte já se encontra eternizado nas telas de cinema, DVD`s e outras tantas mídias.

Para finalizar uma curiosidade. Cheguei até o filme por um caminho não muito convencional. Tive um primeiro contato com a trilha sonora que tal como não poderia deixar de ser, é tão apaixonante quando o filme e cativado pelos acordes fui levado até o filme, um caminho meio inverso ao que costumo percorrer. Enfim termino o post deixando ao leitor o belo trailer do filme onde se pode ter uma parte ínfima do filme e de sua trilha sonora, mas que certamente cumprirá seu papel de despertar curiosidade, onde espero ser suficiente para que todos possam assistir.

Quem foi Gioachino Rossini?

Quem acompanha o blog já há mais tempo sabe de minha relação quase simbiótica com a música clássica e erudita. Pois bem que o dia de hoje merecidamente e com gratidão nas palavras venho prestar aqui não uma homenagem, mas sim uma grande reverência a um dos compositores eruditos que mais admiro: Gioachino Antonio Rossini.

Filho de simpatizantes e entusiastas da Revolução Francesa, Rossini nasceu na Itália em 29 de fevereiro de 1792 e como os mais atentos podem perceber completaria hoje seus 220 anos. Velho? Nada disso as composições de Rossini atravessaram os tempos e marcaram épocas em todo tipo de gênero e entreterimento.

Abaixo exemplo de episódio em que Pernalonga representa adaptação de uma das peças mais famosas de Rossini: Il barbiere di Siviglia (“O Barbeiro de Sevilha”).

Não foi apenas Pernalonga que se interessou pela obra de Rossini. Abaixo outra adaptação do barbeiro de Sevilha agora encenada pelo Pica Pau.

Como não poderia deixar de ser, para aqueles que tiveram a curiosidade de clicar, o Google homenageou hoje Rossi com Doodle como todos podem ver na figura abaixo, uma homenagem de uma das maiores “personalidades”da internet, senão a maior a uma das maiores personalidades da música, sem dúvida.

Não poderia encerrar sem deixar um pouco de Rossini agora com sua obra original. Enjoy!!!

Clássicas relações

Muitas são as sensações que não consigo explicar, mas ao pensar sobre muitas delas, nenhuma me intriga tanto como àquela que sinto ao escutar música clássica. Fui seduzido pelas melodias eruditas desde muito novo e até certo ponto sem nenhum fator muito claro que pudesse explicar minha preferência pelo gênero. Claro que não penso ser nada complicado nem muito nobre gostar de música clássica, dada a pureza e beleza da qual as melodias são feitas.

Pensando em música como um universo poderia facilmente comparar as composições clássicas aos anjos ou santidades das mais altas escalas que ocupariam senão o posto mais alto na hierarquia do universo musical, algo de muito perto à perfeição. Certamente compositores ligados ás composições clássicas foram muito abençoados e me arrisco a dizer que sinto como se eles tivessem tocados por Deus no momento exato da concepção de suas obras musicais.

Não pensem que sou daqueles radicais que escutam apenas um tipo específico de música ou gênero musical. Aqueles que me conhecem sabem muito bem que transito nos mais variados estilos e intérpretes.

Nos últimos dois anos tive a felicidade de poder assistir a dois espetáculos da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), oportunidade que agradeço com frequência. Assistir a um espetáculo de música clássica é estar mais próximo de Deus, é sentir, mesmo que por um curto espaço de tempo, a presença de algo superior a nós mortais.

Hoje ao assistir a um filme no cinema me surpreendi ao escutar bem no fundo de uma cena sem importância para a trama, a música Nessun Dorma. De imediato me desligara do filme, não via, não ouvia as falas dos atores e nem muito menos lia as legendas. Eu havia sido hipnotizado pela música que por um instante de tempo, que não saberia quantificar, me levara para fora das paredes do cinema e para fora de mim.

Tal como alguém que assiste a um filme com drama muito intenso me vi emocionado. Lágrimas corriam em meu rosto. Sentia um aperto no coração muito forte, cenas vinham a minha cabeça, via pessoas queridas, todas muito felizes. Sentia uma sensação extraordinária, algo que certamente não é explicável pelos conhecimentos e teorias deste mundo.

Se é verdade que a música possui efeitos sobre nós, meros mortais, não duvido que a música erudita e clássica nos remetem algo mais que simplesmente ao ato de escutar boa música. Arrisco-me a dizer que a música clássica nos torna mais próximos a Deus e nos rotula não apenas como meros e simples corpos físicos.

Não é crítica nem análise de obra musical

Noite de chuva, eu a sós, pensamentos ao vento e imaginação a mil por segundo. A noite parecia e teria tudo para ser entediante, mas não foi. Sentado no computador, ser digital e socialmente integrado a um monte de sites de relacionamentos esta eu estudando, produzindo ideias, trabalhando no futuro e pensando sobre tudo.

Dentre os infinitos downloads e sites uma certeza pairava sobre mim, ainda não achara uma trilha sonora para o momento que me inspirasse a escrever, sobre o que? Sobre qualquer coisa, sobre tudo, sobre nada, seja o que for na importava, precisava apenas de boa música adequada ao momento para que pudesse acalmar os neurônios e relaxar escrevendo um pouco.

Música aqui e ali e muita música boa tocava, mas nada adequado ao momento, nada que combinasse comigo, nada. É assim mesmo e se é difícil encontrar boa música hoje em dia, imagina o quão impossível possa parecer encontrar a música certa ao estado de espírito ou ainda à necessidade  de inspiração?

Sorte? Acaso? Destino? Chame do que quiser, o fato é que num rompante selecionei a música certa. A mente se abriu as ideias se alinharam novamente, o espírito foi se acalmando aos poucos e com ele a paciência para transcrever rápidos pensamentos em lenta escrita. A responsável pelo alento dessa noite foi a cantora Norah Jones. O CD? The fall lançado em 2009.

Interpretação sublime como sempre a cantora parece ter amadurecido ainda mais. Dizem por ai, ou melhor, dizem pela internet que amadurecimento decorre da idade e da experiência, mas sendo bem sincero esse tipo de fato pouco me importa no momento.

Em suma, o fato é que Norah Jones e seu CD The Fall, preencheram hoje muito bem o espaço e a necessidade de música. O resultado como todos podem perceber foram alguns posts, muita calma e a sensação de renovação para o dia seguinte. É isso!