Óbvio!

Mais uma vez ele começaria outro texto. Levado quase inconscientemente tomaria em mãos seu notebook, abriria sem pestanejar o editor de texto e como viajante errante iniciaria a viagem rumo ao desconhecido. Despretensioso e inquieto demais, levaria seus dedos a percorrer novamente a as trilhas do teclado, sem rumo definido, sem velocidade controlada num descontrole completo sobre a situação.

Normalmente seguindo a rotina, abriria sua caixa mental de assuntos e ideias sobre posts, leria e pesquisaria algumas referências, faria rascunhos inúmeros e recortes de trechos soltos de texto enquanto entre uma e outra frase, interagia com uma dezena de pessoas, em outra dezena de redes sociais que nos últimos meses tornaram-se quase uma obsessão.

Foi então que revirando compartilhamentos dos mais diversos, encontrou aquilo que procurava. Lá estava ela: linda e a sua espera. Quem era ela? Como ficara ali guardada por tanto tempo? O post estava finalmente definido e naturalmente pôs-se a escrever.

Não raro fora questionado do motivo pelo qual não falara de sua amada nos posts. É verdade! Sempre esguio, encontrava forma de fugir do assunto, desviar o caminho até ficar livre das cobranças. Não que ficasse chateado com cobranças, mas no fundo tinha medo e então, covarde, fugia, fingia e evitava reconhecer o óbvio. Sempre fora imaturo em seus relacionamentos afetivos e temendo ser visto como fraco por anos reprimira seus sentimentos fechando-se numa carapaça abrutalhada e carrancuda, acreditando ser esse o caminho para firmar-se como homem.

Os anos passaram e com eles a maturidade afetiva foi florescendo bem aos poucos. O medo transformava-se aos poucos, é verdade, mas aos poucos foi sendo superado dando espaço aos seus sentimentos mais reprimidos. O tempo e paciência dedicados pela companheira foram transformando o solo, antes infértil. O amor entre eles, agora casados, firmara-se ainda mais e eis que num dia aparentemente comum…

Lá estava ela linda a sua espera. A ideia, o post, o reconhecimento, a humildade, o amor. Isso tudo para apenas para encontrar forma de lhe dizer que você está em tudo que sou, em tudo que escrevo, em tudo que desejo. Não procures o óbvio em minhas palavras ou em minhas atitudes. Saiba que nesses 12 anos em que estamos juntos, nem mesmo por uma milésima fração de um único segundo deixo de pensar e de carregar você comigo. Você, meu amor, está em tudo que faço em tudo que sou! Eu te amo! Óbvio!

Le fabuleux destin d’Amélie Poulain

A sétima arte sempre me emocionou. Quando assisto a um filme verdadeiramente entro em plena sintonia com os personagens e durante aquele instante em que a trama se desenvolve me envolvo por completo. É então que não importando se no cinema, a sós ou acompanhado, na presença de estranhos ou desconhecidos reajo, choro e me enfureço em cumplicidade com os personagens.

Para aqueles que não me conhecem antes de iniciar definitivamente o post é importante informa que tanto para música como para cinema tenho preferências nada lineares. Isso quer dizer que transito facilmente entre filmes de heróis, ação, aventura, suspense e drama. Apesar do perfil eclético é inegável que alguns filmes nos transformam mais que outros e a sessão de cinema em casa ontem trouxe um desses filmes, digamos mais transformadores. O leitor deve estar se perguntando a essa altura, qual filme responsável pela transformação ao ponto de merecer um post aqui? O filme Le Fabuleux Destin d’Amèlie Poulain (França 2001) foi o culpado. Sentença e condenação dadas vamos ao que interessa.

A história se passa em Paris e conta a história de Amèlie Poulain, jovem que fora criada pelos pais em regime de isolamento em sua casa, por desconfiarem que ela possuía doença cardíaca. Depois de crescida e independente Amèlie passa a ajudar as pessoas que estão à sua volta ou que de alguma forma fazem parte de seu cotidiano. O que ela não poderia imaginar é que todo o bem que causara acabaria por criar um forte elo entre ela e as pessoas às quais ajudou e por fim determinaria seu destino culminando em um interessante final em que o desfecho amoroso da personagem atinge seu ápice. Terá sido feliz no amor? Terá sofrido forte desilusão? O fim deixo a cargo do leitor a descoberta.

História de enredo simples e por vezes até inocente, o filme tem um magnetismo impressionante e ao final de 120 minutos deliciosos na companhia de Amèlie Poulain somos levados a um mundo desconhecido para alguns e pouco visitado por outros: o mundo mágico e harmonioso das amizades descompromissadas e verdadeiras. Um belíssimo filme que certamente e por nossa sorte já se encontra eternizado nas telas de cinema, DVD`s e outras tantas mídias.

Para finalizar uma curiosidade. Cheguei até o filme por um caminho não muito convencional. Tive um primeiro contato com a trilha sonora que tal como não poderia deixar de ser, é tão apaixonante quando o filme e cativado pelos acordes fui levado até o filme, um caminho meio inverso ao que costumo percorrer. Enfim termino o post deixando ao leitor o belo trailer do filme onde se pode ter uma parte ínfima do filme e de sua trilha sonora, mas que certamente cumprirá seu papel de despertar curiosidade, onde espero ser suficiente para que todos possam assistir.

Montanha Russa

 

Sentado penso, reflito e pontuo sobre aquilo que realmente importa na vida, tentando planejar o cumprimento de muitas promessas perdidas no tempo e na arrogância de fugir de tudo que possa me tornar mais humano. Mais humano! Sinto às vezes ter perdido muitas chances de ser mais agradável, de ajudar e de expressar mais meus sentimentos pelos outros. Sinto às vezes um aperto que sufoca, roubando de mim as palavras e cegando meus olhos. É então que tomado de aflição venho aqui, nesse planeta particular hospedado na galáxia da internet e simplesmente escrevo.

Sentimentos, desconhecidos de mim mesmo e cuidadosamente escondidos dos outros, afloram intensamente e cambaleante torno-me um ébrio a descobrir emoções tal como se descobre as curvas, os giros e todos os loopings de montanhas russas em parques de diversão. A descida então acontece por vezes aos solavancos perdendo o trilho da emoção e ao ir de encontro em alta velocidade descendo do alto de tudo aquilo que me tornei até agora, lanço-me sem medo e sem vergonha, solto os braços e abro bem os olhos durante todo o percurso.

E assim após alguns poucos minutos e completado o percurso com seus altos e baixos, suas curvas fortemente anguladas e seus loopings surpreendentes revisito-me. Nesse mundo ao qual a ninguém é permitido visita é onde verdadeiramente resido. É aqui onde me encontro nu, despido do teatro, despido da coragem e da força. É aqui onde realmente vivo e quando revisito esse pequeno mundo particular, mesmo que pelo tempo de um tolo passeio numa montanha russa emocional ou pela duração de cada parágrafo que escrevo, é daqui que retiro forças para seguir em frente.

Tropeçando, caindo, levantando, andando ou correndo, não importa! Importa é ter entrado e saído. Importa saber que ao fim do passeio permaneço ali exatamente como sou: erros e acertos, sucessos e fracassos, amores e ódios, amigos e inimigos. É sim esse ai sou eu tentando ser mais humano, tentando ser melhor e no fim conseguindo ser apenas Eu!

Semana de Arte Moderna – 90 anos

Cartaz Semana de Arte Moderna 1922

 

Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro do ano de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, há quase exatos 90 anos acontecia uma das mais expressivas, senão a mais expressiva, renovação da cultura brasileira. O movimento chamado de Semana de Arte Moderna promoveu por meio de experimentações diversas uma ruptura com o passado cultural brasileiro lançando para nossa sorte, aqueles que transformariam o caminho pelo qual vinham sendo conduzidas as artes brasileiras.

O movimento contou com nomes sagrados da cultura brasileira à época até os dias de hoje como: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti dentre muitos outros. E foi assim que escritores, poetas, pintores, maestros e músicos entraram em definitivo para a história da cultura e das artes brasileiras e do mundo.

Mário de Andrade (primeiro à esquerda, no alto), Rubens Borba de Moraes (sentado, segundo da esquerda para a direita) e outros modernistas em 1922, dentre os quais (não identificados) Tácito, Baby,Mário de Almeida e Guilherme de Almeida e Yan de Almeida Prado

 

Hoje este escritor desregrado e certamente um dos escritores menos lidos de que se tem notícia, para em plena madrugada para relembrar este que foi um dos mais importantes e inspiradores movimentos de renovação cultural de que se tem notícia por aqui. Como complemento e também na tentativa de amenizar as palavras ainda muito aquém de nomes como aqueles citados acima, reproduzo dois vídeos veiculados pelo site do Jornal O Estado de São Paulo com declamações dos poemas:  “Paisagem nº1” e “Inspiração” de Mário de Andrade realizadas pela Professora Telê Ancona. Abaixo seguem os vídeos.

Trailer de que?

Já faz algum tempo venho pesquisando e tomando contato com novas formas de me relacionar com a literatura. Essa busca de início mera curiosidade foi evoluindo chegando hoje a ser necessidade constantemente presente em meus dias. A paixão por livros e literatura me fez enveredar por caminhos nada convencionais e não raro às vezes acho que me transformei em uma pessoa excêntrica demais ou quem sabe até meio doido mesmo.

O fato é que minha vontade de promover a literatura e sua magia tem dado alguns bons frutos. Um dos principais deles foi a descoberta de que é possível com alguma criatividade tornar a leitura algo tão atraente como qualquer outro meio de difusão cultural. Aqui no blog vou passar a postar mais sobre essas experiências e descobertas de soluções que podem ajudar a disseminar o interesse e a regularidade da leitura nas pessoas, principalmente nos jovens.

A descoberta que relato aqui hoje é na minha opinião uma adaptação das mais criativas. Algumas editoras tem se esforçado na criação de trailers de livros que são lançados. A função do trailer é divulgar o lançamento do livro de maneira mais interessante, utilizando para isso mídias com alcance de massa maior do que as resenhas publicadas em jornais, revistas ou mesmo os sites, ainda muito estáticos (WEB 1.0?) das editoras.

Com o vídeo (trailer) cria-se um ambiente amistoso àqueles ainda iniciantes na leitura e facilita a disseminação da divulgação em redes sociais como Twitter, facebook ou sites de vídeo como VIMEO ou YouTube. Estando presente em redes sociais com linguagem moderna e vídeos bem dirigidos, as editoras atngem um público até então alheio aos lançamentos, dado o contato ainda muito tímido e em alguns casos até inexistente com resenhas e outras formas convencionais de divulgação de lançamentos editoriais.

Pode parecer ambíguo divulgar lançamento de livros em trailers como filmes de cinema e alguns mais céticos podem até mesmo duvidar de sua efetividade como meio de propagação de lançamentos, mas nesse ponto peço desculpas aos céticos de plantão, pois na minha opinião essa ideia ainda vai descobrir muito leitor preso em seus armários virtuais na web como Twitter, Facebook, Blogs ou YouTube. A meu ver redes sociais, filmes, blogs e web nada mais são que meios de comunicação onde a leitura está e sempre estará presente, seja em apenas 140 caracteres ou em grandes vídeos com legendas e outros tantos mais. Abaixo dois exemplos de trailers de livros. O primeiro compartilhado pelo usuário do YouTube de nome FelipeCaspian que ao que tudo indica foi fruto de produção independente e de muita qualidade a meu ver. O Segundo mostra vídeo da editora companhia das letras muito bem produzido. Aproveitem!!!

Leitura: paixão, diversão, vício e salvação

Pequenas coisas feitas com cuidado, carinho e competência movem o mundo, nos tiram da inercia de nossas vidas e invariavelmente são responsáveis por demonstrações genuínas daquilo que realmente somos e acreditamos.

Hoje uma iniciativa simples, (não faço aqui menção depreciativa, muito pelo contrário) transformou o dia fazendo ressurgir em mim um sentimento ingênuo, que há tempos não experimentava. Fez voltar aos tempos de menino, fez lembrar do tempo quando tudo o que importava era gostar de fazer algo.

Fazia de graça, nem elogio cobrava, muito menos esperava mais do que o simples prazer em fazer. E pela vida as vezes esquecemos como é bom fazer algo apenas por gostar de fazer. Fazer sem esperar recompensa, fazer por amor, fazer por festa, doar-se. E mesmo quando doamos acabamos por receber em troca o cansaço como pagamento, mas não aquele cansaço que esgota, mas sim aquele cansaço de conquista, vitória, prazer.

Após muito navegar pelas redes sociais foi então que encontrei uma espécie de portal. Entrei e fui levado a um manifesto muito peculiar. Nada de documentos burocráticos, nem petições online ou abaixo assinados, nada disso! Fui levado a um manifesto pela cultura, pelo prazer de ler, pela leitura, pelos livros, enfim um manifesto como há muito não encontrava na internet.

A favor da leitura publico esse post. A favor da leitura vou divulgar o vídeo abaixo e peço aos poucos que passam por aqui que façam o mesmo. Vamos transformar o mundo em um lugar melhor, vamos divulgar nossos livros favoritos, vamos incentivar a leitura! Boa leitura!

Os créditos pelo vídeo são de Marcos Felipe.

 

Novos amigos, velhos amigos

Nunca fui ao menos até agora, uma pessoa das mais saudosas. Sempre resistente, alimentei certo sentimento de desapego pelas coisas desde muito cedo. Estranhamente acreditava ser possível simplesmente isolar-me daqueles momentos em que sofremos angústias e desilusões em nossas amizades, relacionamentos amorosos ou até mesmo no uso de nossos objetos pessoais, livros, ambientes virtuais e outras tantas tralhas com as quais vivemos o cotidiano de nossa vida. Acho estranha a relação que passei a ter com certos objetos com os quais me relaciono tão intensamente particular, que por vezes acredito ter enlouquecido.

Para aqueles poucos que perdem o tempo lendo as bobagens mal escritas e completamente irrelevantes deste blog, não apresentará novidade alguma o fato de eu dizer que possuo uma relação íntima demais com os livros. A novidade agora é que recentemente passei essa obsessão, mania, ou seja como for que os psicanalistas nomeiam essas coisas, com quadros. Quadros com pinturas na expressão concreta da arte e outros muitos compostos apenas de figuras impressas de obras que podem ser compradas pela internet que de acordo com minhas preferências fui selecionando, contemplando e com algumas poucas acabei comprando, emoldurando e pendurando pelas paredes da casa. Sempre me intriguei com o fato de tratar os livros praticamente como pessoas amigas que sempre quando necessário estão disponíveis para aconselhar-me, divertir-me e até mesmo me instruir profissionalmente. Agora como se já não estivesse com manias demais passei a esboçar e a considerar os quadros da mesma forma.

Ainda esta semana surpreendi a mim mesmo parado por um tempo que não serei capaz de precisar, fitando aquele quadro pendurado na parede como se por esse tempo eu estivesse sido transportado para o momento retratado na pintura. Parado ali, por tempo indeterminado o qual não sei precisar, invadi a realidade da criação do artista, passei a sentir em todas as dimensões e sentidos aquela obra, tornei-me parte dela numa experiência única até então. Ao “acordar” senti algo diferente, estava sereno sentia que de alguma forma aquela experiência transformara-me. E foi assim que aos poucos retornei aquela outra realidade, estava novamente na minha sala, fitando a pintura, novamente a vendo como uma simples obra de arte.

Acho que nunca vou conseguir explicar alguns sentimentos que tenho e nem mesmo sei se gostaria ou suportaria a explicação deles, mas de uma forma ou de outra haverá sempre boas lembranças e bons momentos merecedores de um texto, mesmo que mal escrito, para gravar esses momentos em que tenho como amigos: autores, pintores, livros e quadros a me socorrer com seus conselhos, me distrair com suas viagens, aventuras e tramas e formar como pessoa: mente e espírito, realidade e ficção.

Vivendo e atuando: Eu personagem de mim

Eis que um rompante, um átomo que se parte, um vento que sopra, um conselho que recebemos e tudo muda inexplicavelmente. Somos então chamados a abandonar a inércia da nossa rotina e a mesmice das horas perdidas com bobagens e todo tipo de amenidade dispensável. Não é fácil assumir e reconhecer que é momento de mudar, de dar aquela guinada na vida para promover algo inovador rompendo os laços da acomodação tão presentes nos dias monótonos de nossa existência excessivamente regrada, conservadora e sem graça.

Fui pego inesperadamente por um desses rompantes de mudança, de uma hora para outra, vindo do nada, sem aviso, sem reservas e de maneira muito mais direta do que poderia esperar e assimilar sem que deixasse o medo e minhas inseguranças aflorarem a ponto de interferir até em minhas mais primitivas funções orgânicas. Atraído para o interior de uma espécie de abismo negro vou em queda livre para dentro de mim mesmo sem esperanças de haver um fim nisso tudo. É então que mergulho em sensações obscuras que trazem a tona o medo, a insegurança a vontade de fugir de tudo, de largar tudo e todos e por mais que lute permaneço paralisado com medo do resultado de toda essa mudança que chega levando para longe toda a calmaria dos dias de mesmice e rotina.

Passado algum tempo de queda, ainda aflito promovo um rompimento com o subjetivo, controlo o emocional, relaxo, situo-me na imensidão do nada que me tornei, elimino e escuridão e encontro-me novamente. Passo então a reconhecer as sensações, relembro vagamente o que sou e o que fui e assim o obscuro vai se dissipando, torna-se turvo e vou definindo-me novamente.

Ainda em queda, sinto maior suavidade, a velocidade da queda fora reduzida e tento encontrar racionalidade na situação, começo e identificar o caminho, a reconhecer o cenário escuto os sons vindos dos camarins, vejo então o fim do abismo. Lá no fim vejo tons de vermelho sague, feixes de luz que vencem a resistência da cortina e então escuto os sons da bengala na madeira, três batidas fortes, uma campainha.

A queda reduz ainda mais a velocidade, passo a enxergar tudo de forma muito nítida, vejo o fim do abismo e a cortina vermelha. Os feixes de luz já tocam meu rosto e sinto o ambiente escuto e o burburinho. Olho para os lados e sei exatamente onde estou, sei quem sou, escuto novamente as batidas de bengala no palco de madeira e a campainha toca mais uma vez. É então que a cortina se abre, as luzes foram apagadas, estou no palco mais uma vez, olho para frente e um refletor me cega, abro os olhos e estou em casa, em meu quarto. Acordo de mais uma noite de sono, o show vai começar novamente, eu atuando como protagonista da minha própria vida, mais um dia que se inicia.

Desabafo!

Tenho tanto para ler e estudar que em alguns momentos entro em pânico! Não costumo me alarmar com facilidade, mas ultimamente tenho sido levado por um verdadeiro tsunami que chega e arrasta tudo que vê pela frente. Se por um lado o imprevisível e falta de rotina sempre me motivaram, por outro tenho sentido os revezes de conviver diariamente com uma sobrecarga do imprevisível, do inusitado e do inesperado.

As ações externas que fogem ao nosso controle crescem num verdadeiro assalto àquilo que racionalmente um indivíduo esclarecido, racionalmente e emocionalmente equilibrado pode suportar. Por mais preparo psicológico que eu possa ter, sempre sinto como vítima desses acontecimentos e por vezes me sinto conduzido por caminhos desconhecidos. É nesse momento que por um instante necessito desligar, reiniciar o sistema na tentativa de me situar novamente no mundo, às novas exigências e cobranças sociais, às novas tecnologias, novas formas de fazer as mesmas coisas de sempre, novos comportamentos das pessoas próximas, enfim, tudo novo mudando o tempo todo,  a toda hora, minuto e segundo.

Hoje vejo que os momentos a só estão cada vez mais raros, estou sempre conectado a alguma coisa ou pessoa, sofro sempre intervenções de tudo e de todos e às vezes por um descuido nem me reconheço direito. Passo por mim mesmo e não me vejo, olho no espelho e não me reconheço com facilidade. Percebo traços e jeitos meus, mas que não remetem ao que eu sempre pensei ser ou ao que fui no passado, mesmo que o passado seja algo a apenas um segundo atrás.

Sinto-me casado disso tudo, anseio pelo simples, pelo trivial, anseio por mais de mim  mesmo, mas não do sou agora! Anseio pelo aquilo que fui, simples Eu e simples o mundo meu, sem as conexões e interatividade, sem precisar atuar, apenas sendo Eu mesmo. Com defeitos com qualidades coisas boas ou ruins, não importa! Importa para mim apenas que seja simples, que seja Eu!

[ProsaEconomica] – Artigo compartilhado: Réplica

Réplica

maio 31, 2011

tags: postado por Luiz Henrique Pacheco

por Prosa Econômica

Muito embora a atividade intelectual dê temperança em muitos momentos para lidar com o embate de ideias, há momentos em que a arrogância aliada à preguiça intelectual nos faz surtar. Isso aconteceu comigo duas vezes num intervalo inferior a doze horas e com uma única pessoa, o jornalista Paulo Moreira Leite, o “Paulino” como é afetuosamente chamado pela apresentadora Marília Gabriela, do Roda Viva, programa da TV Cultura.

A primeira situação ocorreu ontem. O economista Eduardo Giannetti da Fonseca que eu tenho em grande conta concedeu uma entrevista ao referido programa de entrevistas. Muito lúcido e comedido, com intrincada lógica argumentativa, quando não era interrompido pelos afoitos entrevistadores, o Professor Giannetti respondia com cordialidade as questões muito mal formuladas. Mas o jornalista Paulinho se excedeu e ficou indignado com as declarações publicadas por Giannetti na imprensa de que o PIB de 2010 não é tudo aquilo que se dizia, entendendo que as declarações tinham cunho eleitoral e nenhum fundamento econômico.

A segunda ocorreu quando o nosso internauta Anderson Mattozinhos nos enviou um link da matéria de hoje do Paulino “Economistas erraram de novo”, que está no site da revista Época.

Pois bem, o nobre colunista claramente não está iniciado nos conceitos mais básicos de teoria econômica, proferindo tautologias do tipo: “o setor exportador é responsável por trazer os dólares.” Ou interpretando segundo a sua regra de juízo a teoria keynesiana do emprego. E o pior, mostrando total desconhecimento da teoria das expectativas para a formação da inflação, nem tendo o trabalho de fazer uma rápida pesquisa para descobrir por que existe um centro de meta inflacionária e dois intervalos limitados (teto e piso). Eu acredito que ele deve ser especializado em política, pois claramente seus argumentos tendem para aspectos políticos.

A sua estrutura argumentativa, é construir uma alegoria de “profissionais da oposição”, em geral, economistas que faziam declarações públicas para atacar o governo Dilma, dizendo que esses tratavam as políticas do BC com “ironia e sarcasmo”.

Quem tenta usar a ironia e o sarcasmo nessa crítica é ele, mas sem sucesso. Nesse caso particular, se de fato tivesse lido Keynes, poderia ter pegado algumas dicas de retórica.

O objetivo do artigo dele é sugerir uma autocrítica aos economistas. Ele mais uma vez parece desconhecer que a autocrítica na nossa profissão é muito comum e profícua. Os marginalistas criticaram os clássicos e romperam com a teoria do valor. Keynes criticou os neoclássicos e mais uma vez houve grande ruptura na teoria econômica. Até na historiografia econômica brasileira recente há autocrítica. Os intensos debates dos monetaristas no fim da década de 80 permitiram um plano econômico maduro em 1994 para tirar a economia da anomalia hiperinflacionária.

Eu queria sugerir uma autocrítica à classe dos jornalistas também. Um texto como o do Paulo Moreira jamais seria publicado num grande site se a figura do editor de redação inspecionasse o conteúdo dos blogs dos conglomerados de notícias. Grave desconhecimento em um assunto que se quer criticar aliado à deselegância é pior do que uma previsão mal entendida pelo jornalista.

Eu poderia me alongar no texto, mas como já fui prolixo demais, sugiro aos leitores do blog para não perderem seu tempo lendo esse tipo de jornalista, que é cheio de som e fúria, mas pouco preciso ou, por que não, vazio nos argumentos.

Artigo publicado no blog ProsaEconomica [http://prosaeconomica.com]

Link para artigo: http://prosaeconomica.com/2011/05/31/replica/