Embate!

Ontem fui vencido pelo cansaço e pelo sentimento de não pertencimento. O cansaço inimigo impiedoso e sem clemência me abateu fortemente assim que saí do banho. As segundas o ritmo de trabalho em geral é frenético e por  vezes sinto-me como Chaplin em tempos modernos, apertando parafusos até enlouquecer.

Mas o maior vilão ontem foi sem dúvida o sentimento de não pertencimento. Por mais aconchegante que possa ser um quarto de hotel, ele invariavelmente será somente um quarto de hotel e nada mais. A cama com lençóis desconhecidos, a obrigatoriedade de uso do ar condicionado (janelas não abrem), o banheiro pequeno e sem nossos objetos pessoais, as roupas amarrotadas na mala, claro!

Já faz algum tempo que me hospedo nesse hotel, mas nada mudou. Continuo a me sentir estranho, aquele sentimento de não pertencimento. A estranheza do local, a TV pequena demais, a cama estreita demais, aquele estranho cheiro de baú como aqueles antigos que nossos avós ainda mantêm com fotos e todo tipo de documentos e lembranças sempre muito remotas.

Peço então o jantar, que demora e adormeço enquanto espero. Muito tempo depois batem a porta do quarto, acordo e lembro-me do jantar. Imediatamente lembro também que comer no quarto é o maior sofrimento. O cheiro da comida misturado com cheiro de baú, a mesa desconfortável o ar condicionado. Tudo contribuindo para minha derrota. E todos me atacam de uma só vez, sem piedade e com força total.

Após jantar, já abatido e literalmente na cama, entrego-me. Posto algo no Twitter e me dou por vencido.

Mais um embate vencido por meus inimigos, mais um dia perdido, mais um dia sem que tenha evoluído uma linha sequer na leitura do “Sinuca”, mais um dia em que o mundo se resumiu ao trabalho e ao sono. Mais um dia em que vergonhosamente fui vencido.

A empreitada não se perderá. Refeito, já começo a traçar os planos para o fim do dia. Nele está incluso a batalha para ler dentro do ônibus na volta para casa. Serão duas horas de batalha intensa e noturna. Nela o principal inimigo certamente será a iluminação quase inexistente das poltronas do ônibus interurbano.

Vencerei!!!

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