Liberdade: parece, mas não é!

Os rompantes não se calaram, muito menos recrudesceram. O ímpeto de controle e cerceamento promete não arrefecer e nós enquanto seres pensantes e cidadãos, não iremos calar. As idas e vindas da personalidade autoritária e arbitrária do Governo Brasileiro veio para ficar e pelo cenário atual teve prazo de validade prolongado para mais quatro anos.

O discurso da Presidente eleita Dilma em sua posse, tão emblemático e tranquilizador quanto à manutenção prometida da liberdade de imprensa e da repulsa à censura, não emplacou sequer até a virada para o próximo ano. Não é segredo para ninguém que o atual Governo vem promovendo um constante embate com a mídia, considerada culpada mor por todos os escândalos e tida como principal artífice de um golpe contra o Governo e seus signatários, que nunca existiu e que sem medo de errar, afirmo que sequer possa ter sido cogitada, seja pela oposição seja por qualquer outra corrente da sociedade civil.

Os episódios foram muitos ao longo do Governo. Começamos pelos mandos e desmandos do insano Ministro Franklin Martins que ejetado dos meios de comunicação passou a perseguir tudo e todos que no exercício dos direitos garantidos na Constituinte de 1988, mantiveram cobertura ímpar dos escândalos, processos, roubos, prevaricações, mensalão, dinheiro em cueca e tudo mais que pudemos acompanhar amplamente em tudo que é órgão independente e sério de imprensa. Descemos o degrau infeliz até o triste episódio ocorrido com o Grupo O Estado de São Paulo, quando da censura duramente encabeçada pelo coronel Sarney e sua brigada política armada com contatos dos mais escusos e condenáveis em relacionamentos com representantes da justiça. Sem nada a perder com apenas mais uma mancha em sua história, o Senador expos a ferida ainda não cicatrizada das ditaturas e reduziu o Brasil a patamares de países como Venezuela e Bolívia, verdadeiros antros do autoritarismo, da violação dos direitos civis e dos direitos humanos que nos envergonha como cidadãos Sul-americanos que somos.

Tudo isso culminou em nada, absolutamente nada impondo-nos a vergonha e a insensatez de um órgão de imprensa estar sob o manto negro da censura há quase quinhentos dias.  Negamos assim uma de nossas mais célebres e imponentes conquistas, motivo de orgulho, não nacionalista, mas sim humanista, de reconhecimento e defesa da pluralidade e da mais pura liberdade: A Constituição da República de 1988.

Não contente em borrar por completo as conquistas democráticas brasileiras e com claro objetivo de enviar mensagem a todos aqueles iludidos com as palavras serenas e firmes, presentes no discurso da Presidente Eleita quando de sua posse, presenciamos todo o compadrio da horda censuradora no evento da posse. O aviso fora muito claro e mesmo embriagado pela declaração da Presidente eleita em que ela diz: “Prefiro mil vezes o barulho da imprensa que o silêncio das ditaduras”, fui tocado por um sentimento de descrença.

Pouco tempo se passou desde o discurso de posse e as entrevistas exclusivas e entramos no período de namoro em que suplantamos os defeitos, concentramos as atenções às qualidades e fazemos votos de amor e de cumplicidade com o governante eleito. Celebramos a democracia, mesmo com convicções e opiniões divergentes e cientes da justiça do processo democrático assumimos os novos atores que comandarão o espetáculo Brasil no futuro.

Ao assumirmos como Nosso o novo Governo e seu Projeto, não há nenhum compromisso nem sequer a menor intensão em ser conivente aceitando que seja ignorado todo nosso passado de lutas pela liberdade democrática e pelo amplo diálogo em detrimento de instrumentos autoritários cerceadores de direitos fundamentais. Afinal é cada vez mais intrigante e decepcionante como que boas ideias e bons discursos se embriagam na cachaça do Poder pelo Poder. Igualmente intrigante é perceber como boas intensões sofrem mutações e crescem semeadas em terrenos antes imprestáveis, mas que regados e adubados pela ganância e pela volatilidade moral acabam por culminar em projetos como o de controle da imprensa, conhecido também como autoritarismo, censura, injustiça, para citar apenas os mais leves.

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