Escrevendo e…

Escrever intriga. Sempre que inicio um texto como esse aqui, por exemplo, tento não pensar demais. Esforço-me para que as palavras venham até mim espontaneamente. Dispo-me de preconceitos, censuras ou convicções. Escrever para mim é quase como me transformar, é renunciar a mim mesmo pelo simples prazer de escrever. Escrever para mim é não me importar sobre aquilo que irão falar de meus textos, é não me importar se estou falando a sós ou escrevendo para ninguém.

Quando escrevo, me liberto de mim mesmo, certas vezes me perco, é verdade. Igualmente verdade é que outras tantas vezes me encontro e atrevo-me a dizer que nos últimos dias tenho me encontrado ainda mais. Escrever para mim foi assim. Nunca planejei, nunca nem sequer pensei muito a sério sobre a escrita. A verdade é que eu mesmo ainda não dou o menor crédito àquilo que escrevo. Pareço estranho eu confesso, mas eu mesmo nem gosto de meus textos, não nutro nenhuma ambição com aquilo que escrevo. Simplesmente escrevo.

Escrever para mim a desafiar-me a cada palavra escrita, a cada frase formulada e a cada texto finalizado. E foi assim que teimosamente fui sobrevivendo e escrevendo cada vez mais. Sempre descrente confesso não ter ainda gostado de texto algum que escrevi, mas a verdade é que mesmo não gostando, meus textos agora são parte de mim. Meus textos são mais que um retrato, mais que um vídeo. Os textos que escrevo e que não gosto, na verdade são partes, fragmentos de minha própria alma, neles despida a quem se atrever a ler. Pelos textos que escrevo pude vencer um pouco a timidez, vencer a ausência de técnica, métrica, estilo ou qualquer outro requisito necessário a qualquer outro escritor que não eu. Escrever me faz vencer os demônios de cada dia.

Não vou nutrir nenhum tipo de esperança ou anseio em relação aos escritos meus. Bastem a mim que sejam meus, basta. Não pensei algum dia estar satisfeito com os textos que escrevo, mas me satisfaço em ver que meus escritos dizem muito mais sobre quem sou. Não pensem que estarei eu, a procurar inspirações que não sejam unicamente minhas. Escrever para mim é muito mais que possuir textos ou leitores que os tenham lido. Escrever para mim é cura.

Escrever é me libertar de minha própria loucura. Ao escrever sinto que me mantenho lúcido. Reconheço toda minha insignificância, mas não me cobro, não exijo muito nem me impaciento comigo. Escrever para mim é assim, é por isso, é isso! Escrever é perder-me e me encontrar em mim.

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4 comentários

  1. Olá.
    Primeiramente, obrigada por visitar meu blog ‘Dicção’e pela disponibilidade de comentar sobre o post que você leu. Fico muito honrada com esses pequenos gestos, já que a vida hoje está configurada conforme o ritmo devastador do corre-corre. Gostei muito do ‘Escrevendo e…’ porque achei, além de bem escrito, muito autêntico, nada embotado. Vou voltar mais vezes!!!
    Abraço.
    Carol.

    1. Oi Carolina, obrigado pelo comentário aqu no blog também. Compartilho do mesmo pensamento que você e estou igualmente honrado pelo comentário postado em meu blog, pelo elogio ao texto e pela afirmação de que voltará mais vezes. Será sempre um enorme prazer recebê-la por aqui e certamente será ainda mais prazeroso visitá-la em seu blog e partilhar de seus escritos. Obrigado!!!
      Anderson Mattozinhos

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