Mês: fevereiro 2011

Mestre Júlio V.

Para aqueles que me conhecem a mais tempo, não é segredo nenhum que sou apaixonado por livros. Venho me esforçando para manter uma biblioteca pessoal que com orgulho relato já possuir um pouco mais de mil livros. Sempre fui bem eclético e pouco censuro conteúdos, assuntos, gêneros ou escritores e minha biblioteca não seria diferente.

Possuo livros dos mais variados e venho tentando direcionar minhas aquisições separadas por categorias que eu mesmo defini como sendo o melhor padrão para minha maneira pessoal de comprar e colecionar livros. As principais são: livros raros, literatura estrangeira, literatura nacional, livros técnicos e profissionais, livros clássicos, dentre outros.

Com relação aos livros compro invariavelmente em sebos, outra paixão. Sou daqueles que pode perder a noção do tempo dentro de um bom sebo ou livraria. Certa vez quando percebi, vi que já estava há mais 6 horas em um sebo em São Paulo. Aliás essa história é bem pertinente ao dia de hoje. Explico abaixo.

Essa semana ao chegar ao trabalho e abrir o buscador Google, fui pego de surpresa pela logo comemorativa em homenagem ao escritor Júlio Verne. Logo me veio à lembrança do dia em que estava na cidade de São Paulo a passeio, após estendida de uma semana de trabalho por lá. Lembro-me com detalhes do dia em questão, dia em que por coincidência tremenda me perdi nas páginas de um exemplar de Viagem ao Centro da Terra do mestre escritor Júlio Verne.

É impressionante e por vezes fico meio apreensivo com o poder que livros ou musicas tem sobre mim. Num instante estava eu a ler trechos do livro do mestre Júlio Verne e como que num passe de mágica, de repente fui alertado pelo funcionário do sebo que já era tarde e infelizmente ele teria que fechar o estabelecimento. Ao olhar o relógio num primeiro momento me veio espanto. Como poderia ter passado tanto tempo? Ficara praticamente toda uma tarde e parte considerável da noite lendo sem que nem me desse por conta.

De súbito, logo após me recuperar do primeiro choque, causado pelo assombro que tive quando vi as horas, fui tomado por um novo espanto. Como é que eu poderia ser praticamente hipnotizado pelo livro? Onde estaria eu com a cabeça? Como se num passe de mágica fui transportado para o mundo de Júlio Verne. Tal como um portal ou uma quede de um sonho ruim, o funcionário do sebo me trouxe de volta.

Assustado depois da reentrada no mundo real, sobrou-me apenas a certeza de que levaria o livro comigo. Mas eu já possuía um exemplar de Viagem ao Centro da Terra. O que faria eu, por mais aficionado por livros que poderia ser, com dois exemplares do título? Enganam-se aqueles que pensam que neste momento estaria eu comprando apenas mais um exemplar de um livro do mestre Júlio Verne. Na verdade, e eu tinha toda a consciência disso, estava eu a comprar o portal para o fantástico mundo de Júlio Verne.

Livros são assim, nunca são nem serão iguais, livros registram as impressões, sensações, emoções e todo tipo de sentimento daqueles que os leem. O exemplar em questão fora certamente lido por pessoas cuja imaginação e envolvimento com a história fora tão sincera e real que é como se todos tivessem se tornado parte da história. Como se todos tivessem por alguns instantes tendo utilizado o livro como um portal. Hoje muito tempo depois do episodio ainda visito, sempre que possível o maravilhoso e envolvente Mundo de Júlio Verne.

Feliz aniversário Mestre Júlio Verne, talvez ainda hoje abra o portal pra ir visita-lo, mesmo que rapidamente.

E daí?

Sou composto de acordes musicais

Sou feito músico

Você não é músico!

Sou composto de acordes musicais

Sou inteiramente alma

Alma musical

Minha alma é composta de acordes musicais

Sou feito músico

Você não é músico!

Sou composto de acordes musicais

Sou músico!!!

Não!!!

Você não é músico!

Serei eu algo parecido com o nada?

Nada!

Sou composto de nada?

Músico!

Você não é músico!

Sou eu mesmo!

Sou feito músico!

Sou mais música

Sou Músico!

Você não é músico!

Não sou músico? Que importa isso?

Não sou músico

Escuto, emociono, sinto

Não serei eu músico?

Você não é músico!

Serei nada?

Nada não serei!

Serei eu mesmo!

Minha alma é composta de acordes musicais

E isso é o que basta

Você não é músico!

Cala-te!

Minha alma é composta de acordes musicais

Sou música, sou eu

Você não é músico!

Cala-te!

Não sou músico?

E daí?

Clássicas relações

Muitas são as sensações que não consigo explicar, mas ao pensar sobre muitas delas, nenhuma me intriga tanto como àquela que sinto ao escutar música clássica. Fui seduzido pelas melodias eruditas desde muito novo e até certo ponto sem nenhum fator muito claro que pudesse explicar minha preferência pelo gênero. Claro que não penso ser nada complicado nem muito nobre gostar de música clássica, dada a pureza e beleza da qual as melodias são feitas.

Pensando em música como um universo poderia facilmente comparar as composições clássicas aos anjos ou santidades das mais altas escalas que ocupariam senão o posto mais alto na hierarquia do universo musical, algo de muito perto à perfeição. Certamente compositores ligados ás composições clássicas foram muito abençoados e me arrisco a dizer que sinto como se eles tivessem tocados por Deus no momento exato da concepção de suas obras musicais.

Não pensem que sou daqueles radicais que escutam apenas um tipo específico de música ou gênero musical. Aqueles que me conhecem sabem muito bem que transito nos mais variados estilos e intérpretes.

Nos últimos dois anos tive a felicidade de poder assistir a dois espetáculos da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), oportunidade que agradeço com frequência. Assistir a um espetáculo de música clássica é estar mais próximo de Deus, é sentir, mesmo que por um curto espaço de tempo, a presença de algo superior a nós mortais.

Hoje ao assistir a um filme no cinema me surpreendi ao escutar bem no fundo de uma cena sem importância para a trama, a música Nessun Dorma. De imediato me desligara do filme, não via, não ouvia as falas dos atores e nem muito menos lia as legendas. Eu havia sido hipnotizado pela música que por um instante de tempo, que não saberia quantificar, me levara para fora das paredes do cinema e para fora de mim.

Tal como alguém que assiste a um filme com drama muito intenso me vi emocionado. Lágrimas corriam em meu rosto. Sentia um aperto no coração muito forte, cenas vinham a minha cabeça, via pessoas queridas, todas muito felizes. Sentia uma sensação extraordinária, algo que certamente não é explicável pelos conhecimentos e teorias deste mundo.

Se é verdade que a música possui efeitos sobre nós, meros mortais, não duvido que a música erudita e clássica nos remetem algo mais que simplesmente ao ato de escutar boa música. Arrisco-me a dizer que a música clássica nos torna mais próximos a Deus e nos rotula não apenas como meros e simples corpos físicos.