Mês: março 2011

Estou lendo: 2666

Finalmente foi possível tirar um tempinho mesmo que mínimo para me dedicar a leitura de um livro adquirido desde a Bienal do Livro em São Paulo ainda no ano passado (2010). Nos últimos anos nenhum livro despertou tanto minha curiosidade quanto 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño. Após comprar na Bienal vinha andando de um lado para o outro sempre com livro junto na esperança de encontrar oportunidade para ler . Sem sucesso a leitura foi postergada até então, mas as férias mínimas tiradas agora no prolongamento do carnaval se mostraram perfeitas para colocar definitivamente em ordem o deseja de um bom tempo.

Livro na mão a leitura fora tão intensa que me perdi nas horas e quando vi já havia lido quase duzentas páginas ao longo da madrugada. Impressionado com a qualidade da narrativa e ainda meio anestesiado com as longas frases, estilo peculiar do escritor Roberto Bolaño fui invadindo a madrugada e quando mais lia mais me perdia no tempo e no espaço. Ao final de longas horas de leitura me sentia quase que como parte da história, interagia com os personagens, me emocionava com eles vivia praticamente a história toda como se lá estivesse.

Ainda não posso tecer muitos comentários sobre o livro até porque o volume é bem grande e mesmo tendo invadido e noite e lido bastante ainda nem cheguei a metade da história. A ansiedade e m compartilhar as primeiras impressões fora maior que a prudencia para escrever e portanto não poderia deixar de escrever este post o quando antes.

O livro transcorre logo de início em uma apresentação nada convencional dos personagens principais todos ligados pela admiração intensa pelos escritos de um autor alemão (Benno on Archimboldi). Logo após a apresentação já iniciamos a trama muio bem construída que culminará em um interessante triângulo amoroso, também nada convencional.

Os demais detalhes deixarei para aqueles que como eu forem se debruçar no livro. O que estou lendo? 2666 de Roberto Bolaño, escritor chileno já falecido, mas com obras literárias que são um verdadeiro brinde a boa escrita e leitura. E ainda escuto pessoas dizerem que não tem para fazer, assim fica ai a dica: 2666.

 

Vida de Mercado

Manhã de sábado, março de mais um ano que vem atravessando o tempo com uma velocidade espantosa. O peso dos anos recai sobre os ombros que apesar de não se sentirem cansados refletem senão amadurecimento, uma espécie de letargia diante de certos acontecimentos, costumes e até mesmo rituais sociais.

Acredito que esteja atravessando uma fase de intolerância com certas bobagens que são incessantemente produzidas e forçosamente impostas pela sociedade, pela família, amigos e tantas outras vertentes sociais.

Não possuo mais aquela esquizofrenia presente quando estamos em busca de reconhecimento ou ainda quando precisamos nos mostrar à sociedade relatando nossos progressos, nossas conquistas ou qualquer outro feito que tenhamos realizado. Venho considerando isso tudo nada mais do que um grande monte de bobagens, valorizadas apenas para pessoas que mesmo tendo conquistado algo de notória relevância não se satisfazem.

Essa escravidão da exposição e do marketing pessoal vem pensando mais a cada ano.

Entendo e reconheço a necessidade de muitos em mostrarem e serem reconhecidos publicamente, mas definitivamente esse não é o meu caso. Outro dia um amigo me perguntara sobre o motivo pelo qual eu vinha alimentando o blog, sendo que não fazia nenhum esforço para divulgar o site, nem mesmo entre os amigos. Perplexo e já apresentando semblante certamente nada amistoso à pergunta do amigo disse a ele sem reservas: “Escrevo atualmente porque gosto, não acredito que escreva tão bem a ponto de poder divulgar e não gosto de ter compromissos para escrever. Escrevo quando dá vontade e acredito ser essa a grande vantagem em não possuir divulgação e muitas visitas no blog.”

É evidente que mesmo assim possua alguns leitores frequentes no blog, mas estes, devidamente avisados, compreendem meu jeito e estão dispostos a aceitar os textos da forma como o são e mais importante que isso, não cobram nenhuma regularidade em minhas publicações.

As vezes rendo-me a certas situações sei que são necessárias e que socialmente são importantes, mas nem de longe sinto mais o prazer de antes, não sei se são os anos ou se eu mesmo que na verdade nunca gostara desse estilo de vida de mercado. A verdade é que hoje mudei a forma de ver e pensar muitas coisas. A verdade é que hoje espero reconhecimento menos por aquilo que fiz e mais por aquilo que sou.