Enlouquecendo

Em alguns momentos da vida é difícil saber dar prioridade a certos assuntos, leituras, tarefas, amores e etc… Não canso de reclamar do quão tenso vem sendo os dias, das noites mal dormidas das tarefas e responsabilidades sempre inversamente proporcionais à quantidade de trabalho e esta sem dúvida encontra-se situada muito acima de nossa condição física e mental medida pelo simples indicador de tempo produtivo.

Venho sofrendo há algum tempo as imposições do designo imposto pelo tempo à minha vida. Como ser melhor, mais eficaz, mais culto, mais sábio? Como ler mais, aprender mais, pesquisar mais ou experimentar mais? Como?

O tempo nos consome menos pelo aquilo que desejamos e  mais por aquilo que nos é imposto a fazer. Vivemos a era da imposição. Quem por algum dia ou um segundo sequer pensar que é livre, antes de sair por ai arrotando sua condição de independência e liberdade, faça uma pequena reflexão em sim mesmo. Pense seriamente e sem reservas ou manipulações irreais. Veja então senão há nenhum horário a respeitar ou cumprir, se não possui nenhum protocolo, tarefa ou seja lá o que for que obedeça ou tenha restrição de horários para sua execução? Então quando realmente sentir que não tem nenhuma regra, convenção, compromisso ou dívida, não se deixe tomar pela euforia. Continue refletindo se não possui preconceito, nenhuma convenção, regra, lei ou etiqueta a obedecer, nenhuma ordem a seguir ou ainda nenhum exemplo a ter como referência. Após este simples exame, obtenha suas respostas guarde-as e então declare-se livre, mas somente se puder!

Muitos dirão que liberdade não tem nada a ver com essa montanha de restrições e imposições e etc. E até concordo em termos. Porém dizer-se livre nos dias de hoje parece-me nada mais que um exercício de fantasia, de fuga para uma realidade que não pertence mais aos seres humanos.

Por mais utópico que possa ser, desejar a liberdade plena passa pelo contraditório exercício de renegar a realidade em que vivemos. Como renegar a realidade e nos declararmos livres de toda convenção e do designo do tempo sem nos tornarmos loucos? Como continuar a viver sem liberdade sem enlouquecer? Haverá saída para a loucura? Os dias passam e na falta de uma alternativa, vou enlouquecendo a minha maneira, renegando algumas convenções, aceitando outras, tentando enganar o tempo e sendo enganado por ele.

Viver é enlouquecer. Enlouqueço conscientemente na esperança de que o disfarce seja convincente. Enlouqueço conscientemente e me misturo aos loucos tidos como normais e assim vão passando os dias e as noites, passa o tempo e sinto-me então cada vez ainda mais cansado disso tudo. Viver é enlouquecer e eu certamente já estou louco até demais.

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