Férias em Monte Velho – Cap.01

Desde sempre Roberto passava férias em Monte Velho. A cidadezinha não era lá o melhor lugar do mundo, mas a mistura de estilos arquitetônicos do local sempre o deixaram meio estranho, uma mistura de fascínio e medo. Fachadas clássicas misturavam-se a construções modernas, barrocas e também aos estilos misturados, na verdade um mix indefinido de estilos.

A casa de sua Tia Nelinha não escapava ao espanto e por vezes Roberto sempre prometia arrumar outro lugar para passar férias, nada contra Tia Nelinha, é claro, mas o lugar era realmente de assustar.

Como já era de costume chegou á cidade bem cedo pôs-se a caminhar até a casa de Tia Nelinha com sua mochila a passadas ansiosas e cada vez mais intensas e largas. Chegara ao destino ofegante e esmurrando a porta, que por ser muito velha necessitava de grande esforço físico para se fazer ouvir pelo barulho.

Tia Nelinha, então já aguardando a chegada do sobrinho iria sem muito entusiasmo atender à porta. Cumprimentos feitos Roberto caminhara para o quarto de sempre. Ao chegar notara algo de diferente no ambiente e bom observador que era logo reparou no quadro pendurado logo acima da cabeceia da cama onde dormiria pelos próximos dias de suas férias. Encarando o quadro, sentiu algo estranho, não era surpresa e tão pouco desgosto pela obra ali exposta. Roberto sentira uma estranha energia vinda do quadro.

Preocupado que estava em dar cabo de sua fome e iniciar logo expedição pelas estranhas ruas da cidadezinha, não deu muita importância às sensações provocadas pelo quadro e foi logo para a cozinha importunar a Tia.

Após um belo café da manhã digno da energia e inquietude dos jovens, Roberto querendo ser simpático com a Tia pôs-se a elogiar o bom gosto pela escolha do quadro que agora compunha a decoração de seu quarto provisório. A Tia feliz com os elogios passou por um rápido momento de prazer na companhia do sobrinho que a fez naquele momento sentir-se como uma pessoa de bom gosto.

Não havia nada demais com o quadro e Roberto sabia muito bem disso. Conjugado com uma decoração soturna e escura a obra parecia perdida e inócua, sem falar na grande obscuridade da imagem retratada. Mas de alguma forma Roberto sentia algo de familiar e ao mesmo tempo assustador na imagem retratada no quadro. Sentia uma espécie de apreensão como se já tivesse passado por alguma experiência ruim com a pessoa estampada ali. Sem dar muita atenção para seus pressentimentos, Roberto retirou-se do quarto e fora finalmente desbravar as ruas tranquilas de Monte Velho.

Logo ao sair de casa, depois de uma imensidão de recomendações e instruções da Tia Nelinha, já sentira a ligeira impressão de que estas seriam férias inesquecíveis. E não foi preciso se distanciar demais da casa de Tia Nelinha para que a primeira surpresa acontecesse. Roberto distraído e embriagado com seus pensamentos ouviu o suave e ligeiro grito:

  • Beeeeetoooooo!!!!!!

Procurando rapidamente a fonte emissora daquele som agradável e sensual, Roberto em segundos varrera toda a área e logo encontrara o alvo de sua procura.

Alguns anos se passaram sem que Roberto visitasse Tia Nelinha em Monte Velho, mas parecia que a visão que tivera naquele momento, fosse a reprodução exata, quase uma volta no tempo, de Camila. Foi então que Roberto olhando mais detalhadamente sussurou consigo mesmo:

  • Camila está radiante como nunca, bela como sempre, deslumbrante.

Roberto paralisado fitava Camila como se nunca antes tivesse provado de beleza tão intensa e plena. Sem ação e imobilizado, curiosamente veio à cabeça de Roberto o pensamento no estranho quadro de seu quarto provisório em casa de Tia Nelinha. Nesse instante delirante e surreal Roberto abraçou Camila sem pensar e instantaneamente experimentou a mesma sensação de quando vira aquele quandro estranho pela primeira vez.

Dali para frente a vida de Roberto e Camila nunca mais seria a mesma e eles nem de longe poderiam imaginar aquilo que o destino reservara para este reencontro.

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2 comentários

  1. Seus contos são muito bons, consegue captar a agilidade necessária ao estilo sem perder a profundidade ou as construções de linguagens lapidadas

    1. Obrigado Luiz Henrique, por aqui vou tentando não perder o hábito de escrever nesses dias em que cada vez fazemos mais coisas, temos mais responsabilidades e muito frequentemente renunciamos àquilo que realmente gostamos de fazer. No meu caso escrever é uma delas.
      Estou elaborando a contnuidade do conto em breve o capiítulo 02 estará no blog.
      Mais uma vez obrigado pela leitura e pelo comentário!

      Anderson Mattozinhos

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