Mês: junho 2011

Desabafo!

Tenho tanto para ler e estudar que em alguns momentos entro em pânico! Não costumo me alarmar com facilidade, mas ultimamente tenho sido levado por um verdadeiro tsunami que chega e arrasta tudo que vê pela frente. Se por um lado o imprevisível e falta de rotina sempre me motivaram, por outro tenho sentido os revezes de conviver diariamente com uma sobrecarga do imprevisível, do inusitado e do inesperado.

As ações externas que fogem ao nosso controle crescem num verdadeiro assalto àquilo que racionalmente um indivíduo esclarecido, racionalmente e emocionalmente equilibrado pode suportar. Por mais preparo psicológico que eu possa ter, sempre sinto como vítima desses acontecimentos e por vezes me sinto conduzido por caminhos desconhecidos. É nesse momento que por um instante necessito desligar, reiniciar o sistema na tentativa de me situar novamente no mundo, às novas exigências e cobranças sociais, às novas tecnologias, novas formas de fazer as mesmas coisas de sempre, novos comportamentos das pessoas próximas, enfim, tudo novo mudando o tempo todo,  a toda hora, minuto e segundo.

Hoje vejo que os momentos a só estão cada vez mais raros, estou sempre conectado a alguma coisa ou pessoa, sofro sempre intervenções de tudo e de todos e às vezes por um descuido nem me reconheço direito. Passo por mim mesmo e não me vejo, olho no espelho e não me reconheço com facilidade. Percebo traços e jeitos meus, mas que não remetem ao que eu sempre pensei ser ou ao que fui no passado, mesmo que o passado seja algo a apenas um segundo atrás.

Sinto-me casado disso tudo, anseio pelo simples, pelo trivial, anseio por mais de mim  mesmo, mas não do sou agora! Anseio pelo aquilo que fui, simples Eu e simples o mundo meu, sem as conexões e interatividade, sem precisar atuar, apenas sendo Eu mesmo. Com defeitos com qualidades coisas boas ou ruins, não importa! Importa para mim apenas que seja simples, que seja Eu!

[ProsaEconomica] – Artigo compartilhado: Réplica

Réplica

maio 31, 2011

tags: postado por Luiz Henrique Pacheco

por Prosa Econômica

Muito embora a atividade intelectual dê temperança em muitos momentos para lidar com o embate de ideias, há momentos em que a arrogância aliada à preguiça intelectual nos faz surtar. Isso aconteceu comigo duas vezes num intervalo inferior a doze horas e com uma única pessoa, o jornalista Paulo Moreira Leite, o “Paulino” como é afetuosamente chamado pela apresentadora Marília Gabriela, do Roda Viva, programa da TV Cultura.

A primeira situação ocorreu ontem. O economista Eduardo Giannetti da Fonseca que eu tenho em grande conta concedeu uma entrevista ao referido programa de entrevistas. Muito lúcido e comedido, com intrincada lógica argumentativa, quando não era interrompido pelos afoitos entrevistadores, o Professor Giannetti respondia com cordialidade as questões muito mal formuladas. Mas o jornalista Paulinho se excedeu e ficou indignado com as declarações publicadas por Giannetti na imprensa de que o PIB de 2010 não é tudo aquilo que se dizia, entendendo que as declarações tinham cunho eleitoral e nenhum fundamento econômico.

A segunda ocorreu quando o nosso internauta Anderson Mattozinhos nos enviou um link da matéria de hoje do Paulino “Economistas erraram de novo”, que está no site da revista Época.

Pois bem, o nobre colunista claramente não está iniciado nos conceitos mais básicos de teoria econômica, proferindo tautologias do tipo: “o setor exportador é responsável por trazer os dólares.” Ou interpretando segundo a sua regra de juízo a teoria keynesiana do emprego. E o pior, mostrando total desconhecimento da teoria das expectativas para a formação da inflação, nem tendo o trabalho de fazer uma rápida pesquisa para descobrir por que existe um centro de meta inflacionária e dois intervalos limitados (teto e piso). Eu acredito que ele deve ser especializado em política, pois claramente seus argumentos tendem para aspectos políticos.

A sua estrutura argumentativa, é construir uma alegoria de “profissionais da oposição”, em geral, economistas que faziam declarações públicas para atacar o governo Dilma, dizendo que esses tratavam as políticas do BC com “ironia e sarcasmo”.

Quem tenta usar a ironia e o sarcasmo nessa crítica é ele, mas sem sucesso. Nesse caso particular, se de fato tivesse lido Keynes, poderia ter pegado algumas dicas de retórica.

O objetivo do artigo dele é sugerir uma autocrítica aos economistas. Ele mais uma vez parece desconhecer que a autocrítica na nossa profissão é muito comum e profícua. Os marginalistas criticaram os clássicos e romperam com a teoria do valor. Keynes criticou os neoclássicos e mais uma vez houve grande ruptura na teoria econômica. Até na historiografia econômica brasileira recente há autocrítica. Os intensos debates dos monetaristas no fim da década de 80 permitiram um plano econômico maduro em 1994 para tirar a economia da anomalia hiperinflacionária.

Eu queria sugerir uma autocrítica à classe dos jornalistas também. Um texto como o do Paulo Moreira jamais seria publicado num grande site se a figura do editor de redação inspecionasse o conteúdo dos blogs dos conglomerados de notícias. Grave desconhecimento em um assunto que se quer criticar aliado à deselegância é pior do que uma previsão mal entendida pelo jornalista.

Eu poderia me alongar no texto, mas como já fui prolixo demais, sugiro aos leitores do blog para não perderem seu tempo lendo esse tipo de jornalista, que é cheio de som e fúria, mas pouco preciso ou, por que não, vazio nos argumentos.

Artigo publicado no blog ProsaEconomica [http://prosaeconomica.com]

Link para artigo: http://prosaeconomica.com/2011/05/31/replica/

[ProsaEconômica] – Artigo compartilhado

O artigo acima foi publicado no blog ProsaEconômica (http://prosaeconomica.com) tendo sido fomentado por um artigo que li no site da Revista Época, escrito pelo Jornalista Paulo Moreira Leite que utiliza um veículo respeitável e de credibilidade como a revista para expressar seus julgamentos pessoais e juízos de valor. Não obstante a postura nada profissional e ética do jornalista, o mesmo em artigo com nome: “Economistas erram de novo” ainda aproveitou para humilhar e ofender em flagrante falta de ética todos os economistas que como qualquer outra profissão merece respeito!

Agradeço ao ProsaEconomica pelopost, pela qualidade da resposta e por me citar como fonte.

Anderson Mattozinhos