Novos amigos, velhos amigos

Nunca fui ao menos até agora, uma pessoa das mais saudosas. Sempre resistente, alimentei certo sentimento de desapego pelas coisas desde muito cedo. Estranhamente acreditava ser possível simplesmente isolar-me daqueles momentos em que sofremos angústias e desilusões em nossas amizades, relacionamentos amorosos ou até mesmo no uso de nossos objetos pessoais, livros, ambientes virtuais e outras tantas tralhas com as quais vivemos o cotidiano de nossa vida. Acho estranha a relação que passei a ter com certos objetos com os quais me relaciono tão intensamente particular, que por vezes acredito ter enlouquecido.

Para aqueles poucos que perdem o tempo lendo as bobagens mal escritas e completamente irrelevantes deste blog, não apresentará novidade alguma o fato de eu dizer que possuo uma relação íntima demais com os livros. A novidade agora é que recentemente passei essa obsessão, mania, ou seja como for que os psicanalistas nomeiam essas coisas, com quadros. Quadros com pinturas na expressão concreta da arte e outros muitos compostos apenas de figuras impressas de obras que podem ser compradas pela internet que de acordo com minhas preferências fui selecionando, contemplando e com algumas poucas acabei comprando, emoldurando e pendurando pelas paredes da casa. Sempre me intriguei com o fato de tratar os livros praticamente como pessoas amigas que sempre quando necessário estão disponíveis para aconselhar-me, divertir-me e até mesmo me instruir profissionalmente. Agora como se já não estivesse com manias demais passei a esboçar e a considerar os quadros da mesma forma.

Ainda esta semana surpreendi a mim mesmo parado por um tempo que não serei capaz de precisar, fitando aquele quadro pendurado na parede como se por esse tempo eu estivesse sido transportado para o momento retratado na pintura. Parado ali, por tempo indeterminado o qual não sei precisar, invadi a realidade da criação do artista, passei a sentir em todas as dimensões e sentidos aquela obra, tornei-me parte dela numa experiência única até então. Ao “acordar” senti algo diferente, estava sereno sentia que de alguma forma aquela experiência transformara-me. E foi assim que aos poucos retornei aquela outra realidade, estava novamente na minha sala, fitando a pintura, novamente a vendo como uma simples obra de arte.

Acho que nunca vou conseguir explicar alguns sentimentos que tenho e nem mesmo sei se gostaria ou suportaria a explicação deles, mas de uma forma ou de outra haverá sempre boas lembranças e bons momentos merecedores de um texto, mesmo que mal escrito, para gravar esses momentos em que tenho como amigos: autores, pintores, livros e quadros a me socorrer com seus conselhos, me distrair com suas viagens, aventuras e tramas e formar como pessoa: mente e espírito, realidade e ficção.

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5 comentários

  1. Opa! Não são bobagens seus escritos, são ótimas mensagens para vida! Gosto bem! O cotidiano também faz arte! Abraços…

  2. Podes ter sido desapegado das coisas talvez por rejeição ou medo, o certo é que uma pessoa tem dadas características em relação como encarou a vida logo na infância, e isso depois revela-se em adulto.
    Mas não te preocupes com isso, acabamos sempre por ser transportados de alguma forma, acabamos por gostar de outras coisas.

    Despertou-me o facto de quando disseste que não conseguimos por vezes retratar certos sentimentos num texto que nos surge, e é bem verdade, mas ainda assim consegues ter uma excelente forma de faze-lo, consegues dar vida e integridade a uma ideia, expressas-te como sendo numa peça de teatro…

    Boa Leitura!

    1. Olá Sergio

      Obrigado por seu comentário. É sempre muito importante receber comentários e mais importante ainda saber que de alguma forma tocamos as pessoas. Isso sim é que nos traz a grande satisfação e prazer em escrever.

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