Sobrenatural

Chegou em casa do trabalho com uma carga extra de tensão, elétrons saltavam fora de sua órbita cerebral, fugindo da intensa reação eletromagnética desencadeada por sensações estranhas que o incomodaram durante todo o dia. Sem saber a origem exata de todo aquele peso extra, jogou-se no sofá e então passou por um breve cochilo.

Acordou sem saber por quanto tempo permanecera ali sentado sozinho meio adormecido meio lúcido refletindo sobre todos os acontecimentos do dia. Foi então que sentiu novamente a sensação estranha que o incomodara durante todo o dia. Levantou-se, alongou o corpo dolorido e ao abrir os olhos devagar, olhou para o sofá de veludo preto e se viu ainda deitado lá adormecido. Num súbito arranco respirou como se tivesse prendido a respiração por tempo demais e estivesse a beira de sufocar. Tudo escureceu e sentiu que iria desmaiar e não viu mais nada.

Acordou novamente. A sensação de sufocamento apagara da memória o ocorrido e não mais se recordava de ter veistoa si mesmo dormindo no sofá tendo acordado da primeira vez. Sem preocupar-se com o sufocamento durante o cochilo, pensando ser mais um episódio de apneia durante o sono, resultado do cansaço e do stress, levantou-se e foi vagar pela cozinha a procura algo para comer. Realizara uma busca completa sem encontrar nada que o apetecesse para aquela hora e contentou-se com uma generosa colherada de leite condensado.

Continuou a vagar pela casa percorrendo o caminho rotineiro de todos os dias. Saiu da cozinha, passou pela sala, pegou a mochila, subiu as escadas. Chegando ao segundo andar da casa teve um insight, um lampejo, algo como um flash. Lembrou então que naquela noite acordara duas vezes. Como seria possível isso acontecer? Lembrou-se de ver a si próprio deitado no sofá adormecido, mas isso não fazia lógica alguma e pensando estar enlouquecendo se perguntou:

– Como posso ter acordado e ao levantar me deparar comigo mesmo ainda adormecido no sofá?

Continuou a vagar pelos cômodos do segundo andar, passou pelo escritório, biblioteca e por fim chegando ao corredor que dava acesso ao seu quarto se deparou novamente consigo mesmo, mas dessa vez não mais adormecido e sim acordado, de pé bem ali na sua frente. Um frio intenso começou a tomar conta de seu corpo, suas pernas estremeceram, aos poucos viu os sentidos se esvaírem um a um. Não conseguia entender o que se passava e teve medo de tentar se comunicar consigo mesmo ou com aquele outro eu que estava diante dele. Sentiu um pequeno choque bem no meio de seu cérebro, sua visão foi ficando turva, a respiração lentamente foi cessando enquanto o coração acelerado já demonstrava medo.

Alguns segundos se passaram e William desmaiou de vez. Durante os nano segundos de sua queda tentara entender sem sucesso como poderia haver dois Willians no corredor? O que estava acontecendo com ele?

O corpo caiu! William perdeu os sentidos. Estirado no chão, sozinho em casa, respiração fraca, sequelas e escoriações da queda…

Morto ou vivo? Sonho ou surrealidade? Delírio ou sobrenatural? O corpo caiu, no chão William permanece desacordado. Apesar de morar sozinho, repentinamente e sem explicação, surge um homem alto vindo do corredor, passos firmes, pouco cabelo, olhar enigmático, ares malignos e mãos que mais pareciam garras. O homem aproxima-se de William, vira seu corpo, olha bem para seu rosto. Imediatamente um frio intenso toma conta de sua região abdominal, enquanto paradoxalmente sua cabeça aquece deixando suas orelhas quentes e seus olhos ressecados e também vermelhos. Sem reconhecer a casa e nem ao menos conseguindo lembrar como fora parar ali, o homem coloca William no quarto, tenta reanimá-lo e quando William acorda… Continua…

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