Mês: dezembro 2014

Testando limites

Picture of sunset, Cotswolds, England March 2005

Até hoje nunca havia parado para pensar em meus limites. Não em limites físicos, mas sim em limites profissionais. Não quero expor velhas mazelas sobre os limites da capacidade humana, muito menos sobre os limites de aprendizado e interesse em renovar conhecimentos e inovar como profissional.

Hoje o fato de estar questionando meus limites, está diretamente ligado aos limites psicológicos. Entendam limites psicológicos como o limiar de situações em que simplesmente parece ter havido um bloqueio, paralisando não apenas ações. A paralisia fora maior. Me vi incapaz de acreditar na solução, ou melhor, de acreditar que poderia haver solução. Fui tomado por uma descrença sem limites, um pessimismo atroz. Perdi por alguns minutos a esperança.

Não cheguei a perder a cabeça, ufa! Mas tenho plena consciência de ter chegado a um extremo perigoso.

Acredito que a capacidade de gestão e de liderança vem da inteligência técnica mesclada com a emocional. Um dá suporte ao outro e no fim, a soma de ambos dita o quanto de resultados podemos entregar para a equipe, para a sociedade e para a empresa.

Hoje por um momento, parece que perdi o horizonte. Parece que passei a enxergar de forma turva. Simplesmente não conseguia processar a informação e transformá-la em ação. Não conseguia mais acreditar que poderia dar certo. Perdi a capacidade de sentir e de esperar que algo poderia ser diferente e que em algum momento eu poderia encontrar a saída para a situação à qual enfrentava.

Paralisado, segui em frente. Segui da melhor forma que pude, dando a melhor solução que encontrei no momento, mas continuava cético sobre a efetividade. Não conseguia acreditar que daria certo.

Em seguida, ainda meio atordoado, parei para refletir. O pessimismo se instaurou.

Percebi que estamos enfrentando uma crise de valores. Pregamos valores que não são compartilhados verdadeiramente pelas pessoas que convivem conosco em sociedade. Pressupomos a correta conduta dos líderes e das pessoas, mas somos assaltados a todo momento com denúncias de desvios de conduta e inadequações de conduta moral deles perante a o ambiente social.

Vejo a todo momento pessoas pensando exclusivamente em seus próprios interesses, comprometendo o ambiente e criando uma cultura egoísta e egocêntrica que trabalha exclusivamente para fomentar o favorecimento pessoal. O sentimento de grupo, de equipe ou de time fora substituído pelo projeto pessoal. As ambições não envolvem a coletividade, mas sim e apenas o individual. Nesse caminho a sociedade se esfacela e a cultura devia-se.

Afinal como tratar um ambiente de convívio social em que cada um pensa e age apenas com objetivos próprios?

Sim, este foi um duro teste dos limites psicológicos. Cansei desse falso moralismo. Cansei de ver os discursos falsos. Cansei das exceções, dos favorecimentos, dos jeitinhos. Cansei de ver de ouvir discursos ao estilo: “Faça o que eu digo, mas não o que eu faço!”.

Esse é o atual estágio das coisas por aqui. Críticas e indignações com governantes não passam de discursos vazios. A revolta contra corrupção, desonestidade, bandidagem, favorecimentos e tantos outros problemas, ofendem não por serem errados ou ilegais, nem ao menos por serem desvios morais graves. As ações e desvios morais indignam porque foram levadas a cabo pelo outro. No fundo a indignação é menos pelo desvio moral ou ilegal e mais por não participar ou tirar proveito dos favorecimentos e ilegalidades.

No fim, é tudo inveja! Nada de indignação, apenas inveja!

As vezes penso que se ao maior indignado fosse oferecida a oportunidade, ele se revelaria e veríamos neste momento apenas um retrato diferente do mesmo objeto. Então extasiados perceberíamos que a foto mudou, mas a imagem decodificada permanece a mesma. Mais do mesmo.

Enquanto isso continuaremos sendo testados. Sofreremos a todo momento com oportunidades para mostrar que a foto tirada de nós é diferente. Para isso precisamos retomar algo que hoje parece meio fora de moda e está em muitos casos caindo em desuso: a conduta moral ilibada.

Anúncios