Mês: agosto 2017

Limonov

LimonovLimonov by Emmanuel Carrère

Não gostei. Essa foi apenas a primeira impressão que tive ao iniciar a leitura de Limonov de Emmanuel Carrère. E essa impressão não parece ter sito à toa. As primeiras páginas são meio arrastadas inseridas num contexto completamente estranho para mim até então. Os personagens são desconhecidos e também o ambiente. Referências são entendidas, porém igualmente estranhas.

Mas essa impressão ruim aos poucos vai passando. À medida que a história vai se desenrolando, fui conhecendo traços da personalidade de Limonov que são fascinantes. As suas misérias quando a busca, por vezes irascível, em se tornar o herói que sempre sonhara o leva a decisões e ações que parecem uma mistura de comportamentos esquizofrênicos e obsessivos compulsivos.

E a história vai se desenrolando e em algum ponto, mesmo após muitas demonstrações de comportamentos autodestrutivos, acabei me identificando com Limonov. É interessante como suas histórias vão fazendo mais sentido e como em algum ponto da leitura, que não consigo precisar, passei da repulsa à identificação com ele. A recusa de Limonovo e se tornar uma pessoa medíocre talvez explique essa transição durante a leitura.

Ao fim minha opinião mudou. O livro foi espetacular! A experiência de vida e os relatos daquilo que fora na verdade o regime socialista soviético chocam e fascinam quando relacionadas à trajetória de vida dos personagens. Sem teorias, sem elucubrações filosóficas, mas com relatos de casos reais da rotina de quem não era apadrinhado pelo regime socialista e sofria com as exceções e onde a liberdade esteve longe ser uma realidade.

Ao final um momento mágico onde são tratados os anos de prisão de Limonov. Um período como ele mesmo reconhece e que, por incrível que possa parecer, o enobrece ainda mais. É complexo explicar como períodos de prisão podem enobrecer alguém, especialmente para um brasileiro, haja vista nosso mais que precário sistema prisional. Mas é isso que acontece com Limonov. A prisão e talvez o reconhecimento de estar limitado ao bloco de anotações, os passeios externos e as paredes da sua cela, deixa a impressão de ter sido o momento onde Limonov só se ocupou apenas dele mesmo. E esse momento ele aproveitou magistralmente.

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