Conto

Partitura

Imagem

Libertou-se do trabalho naquele dia aparentemente normal. Foi para casa automaticamente sem pensar em nada. Sentiu-se feliz com sua vida. Preocupou-se com as contas a pagar. Sorriu para estranhos a caminho de casa. Caminhou sem pressa.

Chegou em casa. Teve vontade de manter a dieta. Faltou convicção. Abriu a geladeira. Comeu demais. Não estava para conversas, mas conversou com seu cão. Sempre considerou normal conversar com cães, mas só aqueles com os quais tinha amizade.

Vagou pela casa, não sabia por onde começar. Refletiu. Decidiu nada fazer. Aquietou-se no sofá. Cochilou. Acordou. Os olhos permaneceram fechados. Escutara acordes de uma música que o lembrara as obras de Schubert. Sentiu bem, até que pensou por um instante e então foi tomado de um pavor inexplicável.

Continuou inerte procurando mentalmente explicações possíveis que esclarecessem a origem da música. Não obteve êxito. Amedrontou-se pensando ser o emissário do designo a lhe preparar para partir. Sentiu um peso incomum no tórax e uma dor intensa no abdômen.

Ainda sem saber explicar a música de Schubert, consolou-se pensando ser uma bela trilha sonora para ter seu espírito levado pelo designo.

A música continuava e o coro agora estava esplendido. O medo crescera. Teve medo de abrir os olhos. Pensou na vida que teve, agradeceu a Deus. Rezou.

Sentiu a presença de alguém no ambiente. Ouviu ruídos que não soube descrever. Apavorou-se. Medo! Então transpirou e a partir daí não conseguiu mais se controlar. Seu corpo começou a denunciar todo medo que sentia naquele momento. Àquela altura ainda não conseguira abrir os olhos. Obscurecido pelo medo, ouvia Schubert e o coral, agora em volume mais alto.

O medo crescia cada vez mais e com ele o volume do coral e da orquestra. Contavam e tocavam a Missa Nº 6 em Mi bemol maior, D. 950 de Schubert ao fundo.

Não era conhecedor tão profundo da obra de Schubert. Pensou e não soube explicar como identificara a música com tamanho detalhamento. Ainda não tinha nem sequer uma vaga ideia de onde a música era executada. Ainda olhos fechados. Voltou a sentir a presença de algo que poderia ser qualquer coisa. Uma pessoa? Um espírito? Um monstro? Um animal? A morte? Morte?

Teve medo de morrer!

Resolveu arriscar-se. Num súbito sentiu o suor, o tremor, a dor, o pavor.

Abriu os olhos! A imagem borrada não tinha definição. Abriu e fechou os olhos. A imagem definiu-se e ele viu! Lá estava!

Estava em casa. Vira o vulto. A música já lhe apresentava ensurdecedora, agressiva. A música agora viva, maltratava-o. Música, volume, agressão: o vulto.

Lá estava o vulto. Pensou e declamou orações mentalmente. Estava com muito medo. O vulto veio até ele. O vulto era….

Sim era ele. Sim, era o indesejável. E lá estava ele, apenas um vulto. Apenas um vulto. Um borrão negro e ameaçador. O designo estava ali e não há como enganar ou postergar o designo. Era a sua hora. A última hora. A hora final. Aquietou-se. Aceitou.

Continuou ouvindo a música: Schubert. Pensou como era linda. Sentiu a música elevar-se. Ouviu o coral em seu apogeu e então…

Partiu.

Acordando no passado

the-past-otenso

Naquele dia acordou tarde, não porque podia, mas havia sem querer perdido a hora. Num súbito olhou para o relógio, viu as horas e saltou apressado da cama. Foi até o banheiro escovou os dentes e sentiu sua boca com gosto amargo de uma noite de sono mal dormida. Lavou o rosto e ao se olhar no espelho sentiu o peso de seus 38 anos, pouca idade para alguns, mas não para ele.

Foi lembrando devagar tudo que tinha que fazer, afinal era véspera de natal e não podia esquecer de nada. Foi então que após se vestir para sair às compras, decidiu fazer uma lista de tudo que tinha a fazer naquela manhã que na verdade á estava bem próxima do fim. Ao terminar a lista sentiu um frio na barriga e pensou que não daria tempo para resolver tudo a tempo para o natal.

(mais…)

Um dia, um café e a vida sem graça

Naquele dia acordou depressivo. Não que tivesse motivo para isso, mas sentia uma melancolia cinza e fria. Aos poucos a tal melancolia o fora consumindo ao longo de mais uma manhã sem graça, como a grande maioria de suas manhãs nos últimos meses. Tentou disfarçar e se convenceu de que sua atuação estava a contento, porém não fora essa a imagem decifrada por aqueles a quem encontrara naquela manhã. Resignado e ainda sentimentalmente confuso, avistou um Café. Passara por aquele caminho fazia anos sem que nenhuma grande mudança o alertasse significativamente, mas naquela manhã… Lá estava ele, sublime, charmoso e dotado de um magnetismo místico impossível de se negligenciar.

Como sempre estava atrasado, compromissos desestimulantes o aguardavam como sempre, rotina cruel de seus dias desinteressantes e sem graça. Sentia-se impotente diante de tentativas frustradas em promover, pelo menos até aquele momento, mudanças substanciais em sua vida. E por um minuto deixando de lado a razão e num impulso libertador, parou o carro no primeiro espaço que vira. Não se preocupou com leis que pudessem se impor ali e na verdade chegou a desejar que levassem seu carro embora, num súbito desejo por tornar aquele dia mais interessante e menos monótono que os demais.

Saiu do carro como se estivesse se libertando de tudo aquilo que viera carregando de mal naquela manhã cinza. Entrou no Café como quem já no leito de morte conquista mais alguns dias de vida. Sentou- se na primeira cadeira que avistou. Contemplou então o relógio onde vira a hora passar e sentiu um prazer sádico em ver que se atrasaria para os compromissos que o esperavam.

Parado recompondo muito lentamente sua consciência racional continuava a observar os minutos correndo no relógio imaginando o que seria necessário fazer para transformar por completo sua vida em algo mais interessante e foi então que se deu conta da presença de uma das atendentes do local: O Café. Ainda meio que sofrendo de um transe olhou para atendente e ela gentilmente lhe perguntou se desejava ver o cardápio.

Pensou, pensou e de repente algo o intrigou. Não conseguia mais lembrar quanto tempo permanecera sentado ali. Olhava o relógio mas não conseguia interpretar as horas. Em pânico novamente voltou-se a olhar para a atendente e viu que na sua frente, com olhares assustados, que havia mais que apenas uma atendente ali. Foi então que sua consciência veio retornando e ao olhar novamente viu além das atendentes mais um monte pessoas ali com olhares os mais variados, mistos de preocupação, espanto e alguns até de indiferença.

Perguntou sem especificar a quem, que horas eram e uma das atendentes lhe disse:

– SÃO TREZE HORAS.

A informação se impôs sobre ele como um soco direto no queixo. Voltou a ficar meio tonto e perdido e então soltou:

– Um expresso por favor. Estou com pressa e não posso demorar!

A atendente então ignorando o pedido perguntou de volta o arguindo se ele estava se sentindo bem.

– Bem? Estou muito bem obrigado! Apenas não consigo ler as horas.

– Ler as horas…

Nossa!!! Perguntou novamente que horas eram. A atendente então respondeu em tom já denotando sua falta de paciência.

– TREZE HORAS SR!

Ele então não disse nada. Recolheu o livro e o celular que estavam na mesma e foi saindo dizendo estar atrasado. Ao chegar na porta do Café procurou mas não localizou por ali seu carro e então pensou: Tudo certo, agora já sei que estou de volta e que tudo está normal. Seja bem-vindo a sua vida sem graça e agora sem carro! E sem pensar muito começou a caminhar sem destino.

Sobrenatural

Chegou em casa do trabalho com uma carga extra de tensão, elétrons saltavam fora de sua órbita cerebral, fugindo da intensa reação eletromagnética desencadeada por sensações estranhas que o incomodaram durante todo o dia. Sem saber a origem exata de todo aquele peso extra, jogou-se no sofá e então passou por um breve cochilo.

Acordou sem saber por quanto tempo permanecera ali sentado sozinho meio adormecido meio lúcido refletindo sobre todos os acontecimentos do dia. Foi então que sentiu novamente a sensação estranha que o incomodara durante todo o dia. Levantou-se, alongou o corpo dolorido e ao abrir os olhos devagar, olhou para o sofá de veludo preto e se viu ainda deitado lá adormecido. Num súbito arranco respirou como se tivesse prendido a respiração por tempo demais e estivesse a beira de sufocar. Tudo escureceu e sentiu que iria desmaiar e não viu mais nada.

Acordou novamente. A sensação de sufocamento apagara da memória o ocorrido e não mais se recordava de ter veistoa si mesmo dormindo no sofá tendo acordado da primeira vez. Sem preocupar-se com o sufocamento durante o cochilo, pensando ser mais um episódio de apneia durante o sono, resultado do cansaço e do stress, levantou-se e foi vagar pela cozinha a procura algo para comer. Realizara uma busca completa sem encontrar nada que o apetecesse para aquela hora e contentou-se com uma generosa colherada de leite condensado.

Continuou a vagar pela casa percorrendo o caminho rotineiro de todos os dias. Saiu da cozinha, passou pela sala, pegou a mochila, subiu as escadas. Chegando ao segundo andar da casa teve um insight, um lampejo, algo como um flash. Lembrou então que naquela noite acordara duas vezes. Como seria possível isso acontecer? Lembrou-se de ver a si próprio deitado no sofá adormecido, mas isso não fazia lógica alguma e pensando estar enlouquecendo se perguntou:

– Como posso ter acordado e ao levantar me deparar comigo mesmo ainda adormecido no sofá?

Continuou a vagar pelos cômodos do segundo andar, passou pelo escritório, biblioteca e por fim chegando ao corredor que dava acesso ao seu quarto se deparou novamente consigo mesmo, mas dessa vez não mais adormecido e sim acordado, de pé bem ali na sua frente. Um frio intenso começou a tomar conta de seu corpo, suas pernas estremeceram, aos poucos viu os sentidos se esvaírem um a um. Não conseguia entender o que se passava e teve medo de tentar se comunicar consigo mesmo ou com aquele outro eu que estava diante dele. Sentiu um pequeno choque bem no meio de seu cérebro, sua visão foi ficando turva, a respiração lentamente foi cessando enquanto o coração acelerado já demonstrava medo.

Alguns segundos se passaram e William desmaiou de vez. Durante os nano segundos de sua queda tentara entender sem sucesso como poderia haver dois Willians no corredor? O que estava acontecendo com ele?

O corpo caiu! William perdeu os sentidos. Estirado no chão, sozinho em casa, respiração fraca, sequelas e escoriações da queda…

Morto ou vivo? Sonho ou surrealidade? Delírio ou sobrenatural? O corpo caiu, no chão William permanece desacordado. Apesar de morar sozinho, repentinamente e sem explicação, surge um homem alto vindo do corredor, passos firmes, pouco cabelo, olhar enigmático, ares malignos e mãos que mais pareciam garras. O homem aproxima-se de William, vira seu corpo, olha bem para seu rosto. Imediatamente um frio intenso toma conta de sua região abdominal, enquanto paradoxalmente sua cabeça aquece deixando suas orelhas quentes e seus olhos ressecados e também vermelhos. Sem reconhecer a casa e nem ao menos conseguindo lembrar como fora parar ali, o homem coloca William no quarto, tenta reanimá-lo e quando William acorda… Continua…

Férias em Monte Velho – Cap.01

Desde sempre Roberto passava férias em Monte Velho. A cidadezinha não era lá o melhor lugar do mundo, mas a mistura de estilos arquitetônicos do local sempre o deixaram meio estranho, uma mistura de fascínio e medo. Fachadas clássicas misturavam-se a construções modernas, barrocas e também aos estilos misturados, na verdade um mix indefinido de estilos.

A casa de sua Tia Nelinha não escapava ao espanto e por vezes Roberto sempre prometia arrumar outro lugar para passar férias, nada contra Tia Nelinha, é claro, mas o lugar era realmente de assustar.

Como já era de costume chegou á cidade bem cedo pôs-se a caminhar até a casa de Tia Nelinha com sua mochila a passadas ansiosas e cada vez mais intensas e largas. Chegara ao destino ofegante e esmurrando a porta, que por ser muito velha necessitava de grande esforço físico para se fazer ouvir pelo barulho.

Tia Nelinha, então já aguardando a chegada do sobrinho iria sem muito entusiasmo atender à porta. Cumprimentos feitos Roberto caminhara para o quarto de sempre. Ao chegar notara algo de diferente no ambiente e bom observador que era logo reparou no quadro pendurado logo acima da cabeceia da cama onde dormiria pelos próximos dias de suas férias. Encarando o quadro, sentiu algo estranho, não era surpresa e tão pouco desgosto pela obra ali exposta. Roberto sentira uma estranha energia vinda do quadro.

Preocupado que estava em dar cabo de sua fome e iniciar logo expedição pelas estranhas ruas da cidadezinha, não deu muita importância às sensações provocadas pelo quadro e foi logo para a cozinha importunar a Tia.

Após um belo café da manhã digno da energia e inquietude dos jovens, Roberto querendo ser simpático com a Tia pôs-se a elogiar o bom gosto pela escolha do quadro que agora compunha a decoração de seu quarto provisório. A Tia feliz com os elogios passou por um rápido momento de prazer na companhia do sobrinho que a fez naquele momento sentir-se como uma pessoa de bom gosto.

Não havia nada demais com o quadro e Roberto sabia muito bem disso. Conjugado com uma decoração soturna e escura a obra parecia perdida e inócua, sem falar na grande obscuridade da imagem retratada. Mas de alguma forma Roberto sentia algo de familiar e ao mesmo tempo assustador na imagem retratada no quadro. Sentia uma espécie de apreensão como se já tivesse passado por alguma experiência ruim com a pessoa estampada ali. Sem dar muita atenção para seus pressentimentos, Roberto retirou-se do quarto e fora finalmente desbravar as ruas tranquilas de Monte Velho.

Logo ao sair de casa, depois de uma imensidão de recomendações e instruções da Tia Nelinha, já sentira a ligeira impressão de que estas seriam férias inesquecíveis. E não foi preciso se distanciar demais da casa de Tia Nelinha para que a primeira surpresa acontecesse. Roberto distraído e embriagado com seus pensamentos ouviu o suave e ligeiro grito:

  • Beeeeetoooooo!!!!!!

Procurando rapidamente a fonte emissora daquele som agradável e sensual, Roberto em segundos varrera toda a área e logo encontrara o alvo de sua procura.

Alguns anos se passaram sem que Roberto visitasse Tia Nelinha em Monte Velho, mas parecia que a visão que tivera naquele momento, fosse a reprodução exata, quase uma volta no tempo, de Camila. Foi então que Roberto olhando mais detalhadamente sussurou consigo mesmo:

  • Camila está radiante como nunca, bela como sempre, deslumbrante.

Roberto paralisado fitava Camila como se nunca antes tivesse provado de beleza tão intensa e plena. Sem ação e imobilizado, curiosamente veio à cabeça de Roberto o pensamento no estranho quadro de seu quarto provisório em casa de Tia Nelinha. Nesse instante delirante e surreal Roberto abraçou Camila sem pensar e instantaneamente experimentou a mesma sensação de quando vira aquele quandro estranho pela primeira vez.

Dali para frente a vida de Roberto e Camila nunca mais seria a mesma e eles nem de longe poderiam imaginar aquilo que o destino reservara para este reencontro.

[Conto] Sobre infância e ladrões

Mais um ano se passara trazendo com ele a data tão esperada por aqueles dois amigos, parentes e irmãos. O feriado que compreendia natal e ano novo há muito se transformara na data mais importante para a família toda e este ano não seria diferente. As ligações tão escassas durante todo ano, agora são intensas de tal forma que consomem boa parte do tempo livre de todos envolvidos com os preparativos da grande noite.

Ale se apressa em candidatar-se a cuidar de toda bebida necessária para os dias de festa. Cultivando o hábito desde a adolescência Ale tornara-se algo muito próximo a um alcoólatra, observação restrita somente aos meus pensamentos, claro. Afinal sempre me preocupara o fato de ter sido eu, um dos grandes parceiros de álcool quando de nossas noitadas intermináveis. Noites únicas aquelas. Conversas e situações inesquecíveis, sem dúvida.

Já passara das onze horas daquela noite quando meu telefone tocara. Insistente me fez vencer a preguiça, largar a cama, deixar a leitura de lado e ir atender. Sempre tive problemas com telefonemas fora de hora e dessa vez não foi diferente.

– Alô

­- Cabral?

– Oi

– Oi Cabral tudo certo?

– Tudo certo Aleeee. A que devo a ligação no meio da madrugada, hein mano?

– É que estive pensando se neste ano faremos ceia ou churrasco.

Entediado com as perguntas tresloucadas de Ale respondi em tom seco, na esperança de que ele entenderia que eu não queria conversa aquela hora.

– Mas Ale todos os anos desde que aprendemos a respirar fazemos churrasco nas festas de fim de ano! E você ainda continua e me perguntar isso mesmo após, sei lá uns 38 anos?

– É que fico meio tenso, sabe. Os preparativos consomem minha cabeça e enquanto não chega o dia não paro um segundo sequer de pensar.

– Tá bom eu entendo, mas por favor tente pensar mais cedo e veja se me liga mais cedo também, pois afinal feriado ainda está longe e eu tenho muito que trabalhar até lá.

– Tá bom rabugento! Depois nos falamos com calma então. Veja se vai dormir logo para melhorar esse humor.

– Vou pensar em seu caso, ok? Boa Noite!

– Boa noite, mala.

Ao desligar o telefone, fiquei por alguns segundos com pesar, mas logo me lembrei que Ale já estava calejado com minhas rabugices e que não guardaria mágoa de minhas punhaladas. Volto então para cama e para o livro. Recomeço de onde parei e percebo que não me lembro dos acontecimentos do início do capítulo. Volto então ao começo, mas antes me vem um flash. Lembro-me dos projetos antigos de escrever um conto. Penso em possíveis histórias, nenhuma boa o bastante ainda para merecer um livro ou um conto que seja. Desanimado mais uma vez, volto a ler e então em um de meus sincronizados cochilos… Desperto assustado tendo sonhado com a história perfeita.

– PERFEITA!!!!!!

Gritei de entusiasmo e num súbito, misto de euforia e excitação, pulara da cama para o computador e começara a rascunhar apressado. Nem conseguira descrever o que fiz naquele momento. Um esquema?, Rascunho? Notas? Seja o que for estava eu ali escravizado pela ideia. Foi então que percebi que algo mudara dentro de mim naquele momento. A angústia passara, sentia mais intensamente tudo, cores tornaram-se mais vivas, sons mais intensos e puros. Inesperadamente e ligeiro, naquele exato momento algo em mim se transformara.

Rascunho pronto, ideias no papel, rabiscos, cores, anotações no computador e depois anotações a mão, num momento saudosista, sei lá. Tudo fervilhando, coração acelerado não conseguiria acalmar-se e dormir em paz mais naquela noite. Então separei mais uma caneca de cappuccino e voltei a escrever. A história, perguntarão os leitores… Ah sim a história, querem saber qual a história me escolheu? Contarei mas não agora e nem de uma só vez. A história perfeita será contada aos poucos e também aos poucos me deliciarei com ela. Por enquanto, após tudo anotado o cansaço retorna, lembro-me da conversa com Ale. Lembro que tenho muitos dias até o feriado. Então satisfeito em ter sido tocado pela história perfeita, vou dormir. Amanhã tem mais.