Estou lendo

Leitura: paixão, diversão, vício e salvação

Pequenas coisas feitas com cuidado, carinho e competência movem o mundo, nos tiram da inercia de nossas vidas e invariavelmente são responsáveis por demonstrações genuínas daquilo que realmente somos e acreditamos.

Hoje uma iniciativa simples, (não faço aqui menção depreciativa, muito pelo contrário) transformou o dia fazendo ressurgir em mim um sentimento ingênuo, que há tempos não experimentava. Fez voltar aos tempos de menino, fez lembrar do tempo quando tudo o que importava era gostar de fazer algo.

Fazia de graça, nem elogio cobrava, muito menos esperava mais do que o simples prazer em fazer. E pela vida as vezes esquecemos como é bom fazer algo apenas por gostar de fazer. Fazer sem esperar recompensa, fazer por amor, fazer por festa, doar-se. E mesmo quando doamos acabamos por receber em troca o cansaço como pagamento, mas não aquele cansaço que esgota, mas sim aquele cansaço de conquista, vitória, prazer.

Após muito navegar pelas redes sociais foi então que encontrei uma espécie de portal. Entrei e fui levado a um manifesto muito peculiar. Nada de documentos burocráticos, nem petições online ou abaixo assinados, nada disso! Fui levado a um manifesto pela cultura, pelo prazer de ler, pela leitura, pelos livros, enfim um manifesto como há muito não encontrava na internet.

A favor da leitura publico esse post. A favor da leitura vou divulgar o vídeo abaixo e peço aos poucos que passam por aqui que façam o mesmo. Vamos transformar o mundo em um lugar melhor, vamos divulgar nossos livros favoritos, vamos incentivar a leitura! Boa leitura!

Os créditos pelo vídeo são de Marcos Felipe.

 

Estou lendo: 2666

Finalmente foi possível tirar um tempinho mesmo que mínimo para me dedicar a leitura de um livro adquirido desde a Bienal do Livro em São Paulo ainda no ano passado (2010). Nos últimos anos nenhum livro despertou tanto minha curiosidade quanto 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño. Após comprar na Bienal vinha andando de um lado para o outro sempre com livro junto na esperança de encontrar oportunidade para ler . Sem sucesso a leitura foi postergada até então, mas as férias mínimas tiradas agora no prolongamento do carnaval se mostraram perfeitas para colocar definitivamente em ordem o deseja de um bom tempo.

Livro na mão a leitura fora tão intensa que me perdi nas horas e quando vi já havia lido quase duzentas páginas ao longo da madrugada. Impressionado com a qualidade da narrativa e ainda meio anestesiado com as longas frases, estilo peculiar do escritor Roberto Bolaño fui invadindo a madrugada e quando mais lia mais me perdia no tempo e no espaço. Ao final de longas horas de leitura me sentia quase que como parte da história, interagia com os personagens, me emocionava com eles vivia praticamente a história toda como se lá estivesse.

Ainda não posso tecer muitos comentários sobre o livro até porque o volume é bem grande e mesmo tendo invadido e noite e lido bastante ainda nem cheguei a metade da história. A ansiedade e m compartilhar as primeiras impressões fora maior que a prudencia para escrever e portanto não poderia deixar de escrever este post o quando antes.

O livro transcorre logo de início em uma apresentação nada convencional dos personagens principais todos ligados pela admiração intensa pelos escritos de um autor alemão (Benno on Archimboldi). Logo após a apresentação já iniciamos a trama muio bem construída que culminará em um interessante triângulo amoroso, também nada convencional.

Os demais detalhes deixarei para aqueles que como eu forem se debruçar no livro. O que estou lendo? 2666 de Roberto Bolaño, escritor chileno já falecido, mas com obras literárias que são um verdadeiro brinde a boa escrita e leitura. E ainda escuto pessoas dizerem que não tem para fazer, assim fica ai a dica: 2666.

 

Mestre Júlio V.

Para aqueles que me conhecem a mais tempo, não é segredo nenhum que sou apaixonado por livros. Venho me esforçando para manter uma biblioteca pessoal que com orgulho relato já possuir um pouco mais de mil livros. Sempre fui bem eclético e pouco censuro conteúdos, assuntos, gêneros ou escritores e minha biblioteca não seria diferente.

Possuo livros dos mais variados e venho tentando direcionar minhas aquisições separadas por categorias que eu mesmo defini como sendo o melhor padrão para minha maneira pessoal de comprar e colecionar livros. As principais são: livros raros, literatura estrangeira, literatura nacional, livros técnicos e profissionais, livros clássicos, dentre outros.

Com relação aos livros compro invariavelmente em sebos, outra paixão. Sou daqueles que pode perder a noção do tempo dentro de um bom sebo ou livraria. Certa vez quando percebi, vi que já estava há mais 6 horas em um sebo em São Paulo. Aliás essa história é bem pertinente ao dia de hoje. Explico abaixo.

Essa semana ao chegar ao trabalho e abrir o buscador Google, fui pego de surpresa pela logo comemorativa em homenagem ao escritor Júlio Verne. Logo me veio à lembrança do dia em que estava na cidade de São Paulo a passeio, após estendida de uma semana de trabalho por lá. Lembro-me com detalhes do dia em questão, dia em que por coincidência tremenda me perdi nas páginas de um exemplar de Viagem ao Centro da Terra do mestre escritor Júlio Verne.

É impressionante e por vezes fico meio apreensivo com o poder que livros ou musicas tem sobre mim. Num instante estava eu a ler trechos do livro do mestre Júlio Verne e como que num passe de mágica, de repente fui alertado pelo funcionário do sebo que já era tarde e infelizmente ele teria que fechar o estabelecimento. Ao olhar o relógio num primeiro momento me veio espanto. Como poderia ter passado tanto tempo? Ficara praticamente toda uma tarde e parte considerável da noite lendo sem que nem me desse por conta.

De súbito, logo após me recuperar do primeiro choque, causado pelo assombro que tive quando vi as horas, fui tomado por um novo espanto. Como é que eu poderia ser praticamente hipnotizado pelo livro? Onde estaria eu com a cabeça? Como se num passe de mágica fui transportado para o mundo de Júlio Verne. Tal como um portal ou uma quede de um sonho ruim, o funcionário do sebo me trouxe de volta.

Assustado depois da reentrada no mundo real, sobrou-me apenas a certeza de que levaria o livro comigo. Mas eu já possuía um exemplar de Viagem ao Centro da Terra. O que faria eu, por mais aficionado por livros que poderia ser, com dois exemplares do título? Enganam-se aqueles que pensam que neste momento estaria eu comprando apenas mais um exemplar de um livro do mestre Júlio Verne. Na verdade, e eu tinha toda a consciência disso, estava eu a comprar o portal para o fantástico mundo de Júlio Verne.

Livros são assim, nunca são nem serão iguais, livros registram as impressões, sensações, emoções e todo tipo de sentimento daqueles que os leem. O exemplar em questão fora certamente lido por pessoas cuja imaginação e envolvimento com a história fora tão sincera e real que é como se todos tivessem se tornado parte da história. Como se todos tivessem por alguns instantes tendo utilizado o livro como um portal. Hoje muito tempo depois do episodio ainda visito, sempre que possível o maravilhoso e envolvente Mundo de Júlio Verne.

Feliz aniversário Mestre Júlio Verne, talvez ainda hoje abra o portal pra ir visita-lo, mesmo que rapidamente.

O que estou lendo

De volta a boa e velha leitura econômica, que como alguns sabem é minha área de formação,, iniciei a pouco a leitura de um compêndio de artigos reunidos em ordem cronológica de publicação do autor e ex-ministro Luiz Gonzaga Belluzzo. Sempre tive boa impressão do autor, fato que se confirmou na leitura de mais esse livro sobre os antecedentes da crise dos Sub primes Norte Americanos que vieram por eclodirem em uma das mais graves crises do sistema financeiro e bancário internacional dos últimos setenta anos.

Ainda na metade do livro, leitura um pouco lenta é verdade, venho a cada capítulo tomando conhecimento de detalhes aliados a excelente revisão de literatura e de conceitos em teoria econômica. Confesso que tenho me surpreendido com as análise muito bem estruturadas e claras, apesar de profundas e densas em conceitos econômicos. As alusões a grandes pensadores econômicos como Keynes, Shumpeter dentre outros tem enriquecido a leitura e propiciado a mim recordar tempos de estudos econômicos de faculdade.

O ponto negativo, mesmo que pequeno em relação ao tamanho e pretensão da obra como um todo, fica por conta de alguns comentários claramente de esquerda que não me atrevo, claro a contestar, mas que por vezes soam como tom exageradamente emocional, fruto talvez da parceria na escrita com a não menos brilhante Maria da Conceição Tavares.

Por fim o livro vale muito a pena e a qualidade dos artigos de Belluzzo impressiona. Trechos excepcionais de destaque até o momento ficaram por conta dos comentários acerta da globalização. Destaque até agora ficou a famosa expressão: “ contrabando ideológico” (BELLUZZO, Luiz Gonzaga de Mello in: Os Antecedentes da Tormenta – Origens da Crise Global) quando o autor se refere à globalização e ao modo como o conceito vem sendo empregado a revelia por ai. Enfim leiam neste livro recente Belluzzo surpreende e cria um ambiente muito propício a se entender profundamente as questões econômicas e também de teoria econômica associadas à crise recente.

Estou lendo

Psicopatas e agora um caso histórico de assassinato? Estou realmente ficando um pouco preocupado com minhas leituras ultimamente. Brincadeiras a parte vamos ao que realmente interessa.

Admirador confesso do autor Boris Fausto não poderia deixar nunca de ler mais um livro do autor ainda mais quando o mesmo resolve experimentar alterando sua temática habitual de escrita. Pois foi com extrema competência, marca registrada de todas as suas demais publicações, que o autor Boris Fausto lançou-se ao gênero conhecido como micro-história.

Como já era de se esperar o autor chega ao gênero com um lançamento impecável. Iniciada a leitura as páginas de “O Crime do Restaurante Chinês” nos conduz a São Paulo dos anos 30, com descrições primorosas e fotos muito bem selecionadas.

O tema central é o assassinato aparentemente sem motivação justificada e sem suspeitos de um casal de chineses que mantinha na então rua Wenceslau Braz um restaurante de comidas típicas da china. O livro envolvente transportou-me paraa década de trinta quase que instantaneamente  e a trama em torno do assassinato torna a exposição histórica ainda mais atraentes.

Por tudo isso sem medo e mesmo sem ainda ter evoluído substancialmente na leitura do livro, recomendo sem medo de errar. Aos amantes da temática histórica o livro supre lacunas sobre a história de São Paulo, seus emigrantes e seu cotidiano. Já para os amantes da ficção e do bom conto policial cabe um aviso. A história instigante e misteriosa é um prato cheio aos amantes de um caso de investigação com uma vantagem em ser real e ainda de estar permeado por um retrato paulista na década de 1930.

Aos que já leram, estão lendo ou pretendem ler, postem seus comentários ficarei feliz e compartilhar impressões e comentários sobre a obra.

Embate!

Ontem fui vencido pelo cansaço e pelo sentimento de não pertencimento. O cansaço inimigo impiedoso e sem clemência me abateu fortemente assim que saí do banho. As segundas o ritmo de trabalho em geral é frenético e por  vezes sinto-me como Chaplin em tempos modernos, apertando parafusos até enlouquecer.

Mas o maior vilão ontem foi sem dúvida o sentimento de não pertencimento. Por mais aconchegante que possa ser um quarto de hotel, ele invariavelmente será somente um quarto de hotel e nada mais. A cama com lençóis desconhecidos, a obrigatoriedade de uso do ar condicionado (janelas não abrem), o banheiro pequeno e sem nossos objetos pessoais, as roupas amarrotadas na mala, claro!

Já faz algum tempo que me hospedo nesse hotel, mas nada mudou. Continuo a me sentir estranho, aquele sentimento de não pertencimento. A estranheza do local, a TV pequena demais, a cama estreita demais, aquele estranho cheiro de baú como aqueles antigos que nossos avós ainda mantêm com fotos e todo tipo de documentos e lembranças sempre muito remotas.

Peço então o jantar, que demora e adormeço enquanto espero. Muito tempo depois batem a porta do quarto, acordo e lembro-me do jantar. Imediatamente lembro também que comer no quarto é o maior sofrimento. O cheiro da comida misturado com cheiro de baú, a mesa desconfortável o ar condicionado. Tudo contribuindo para minha derrota. E todos me atacam de uma só vez, sem piedade e com força total.

Após jantar, já abatido e literalmente na cama, entrego-me. Posto algo no Twitter e me dou por vencido.

Mais um embate vencido por meus inimigos, mais um dia perdido, mais um dia sem que tenha evoluído uma linha sequer na leitura do “Sinuca”, mais um dia em que o mundo se resumiu ao trabalho e ao sono. Mais um dia em que vergonhosamente fui vencido.

A empreitada não se perderá. Refeito, já começo a traçar os planos para o fim do dia. Nele está incluso a batalha para ler dentro do ônibus na volta para casa. Serão duas horas de batalha intensa e noturna. Nela o principal inimigo certamente será a iluminação quase inexistente das poltronas do ônibus interurbano.

Vencerei!!!

Estou lendo

Não paro de me surpreender com o quanto a tecnologia vem modificando a forma como vivo. Há algum tempo, não muito longo, algo em torno de 6 meses conheci via Twitter uma escritora de Porto Alegre que se mostrou muito capaz e simpática. Trocamos algumas mensagens e conversamos muito sobre literatura, livros e mais um monte de assuntos diversos.

Após ler alguns trechos de escritos da autora em seu blog, fui tomado de assalto pela qualidade dos escritos e passei então a me interessar pelos textos da escritora ainda mais. Pois bem, a compra do livro Sinuca Embaixo d’água veio daí, uma simples troca de mensagens, conversas despretensiosas e claro a altíssima qualidade dos escritos da autora. O nome dela: Carol Bensimon. Se por algum momento dentro de minha insignificância fosse chamado a apostar no futuro de algum novo escritor brasileiro certamente o nome de Carol Bensimon estaria no topo da lista, sem medo algum de errar.

A leitura começou há algum tempo e como aqueles que me seguem ou leem esse blog veio sendo dividida injustamente com outras leituras, muitas delas técnicas ligadas a minha profissão, mas nada que pudesse prejudicar o prazer de encontrar nas páginas de Carol Bensimon uma literatura suave, charmosamente fragmentada e surpreendente.

Hoje coincidentemente por problemas de ordem mecânica, meu automóvel foi afastado das ruas provisoriamente e voltei a tomar o bom e velho ônibus para vir a Ubá trabalhar. Foi então que a leitura do Sinuca deslanchou de vez. Hoje o trabalho será mais inquieto do que normalmente, pois a sede do livro me tomou por completo.

Finalizando hoje a noite conto mais sobre a evolução da leitura que pelo visto terminará lá pelas tantas das madrugada. Para os ansiosos, sugiro acessarem o site da escritora e se deliciar com os contos para download gratuitos. Segue o link: http://www.carolbensimon.com

Abaixo a sinopse escrito pela autora:

Sinuca embaixo d’água é uma história construída em torno de uma ausência. Sete personagens narram um momento de luto, depois que Antônia, uma garota na casa dos vinte anos, morreu num acidente de automóvel. Boa parte dos episódios transcorre no bar do Polaco. Às margens de um lago, os fundos do bar abrigam um salão de sinuca.

O local é frequentado por Camilo, irmão rebelde de Antônia, que tinha uma relação especial com a irmã: entre a adoração e o instinto protetor. Sua principal ocupação é montar e desmontar carros antigos.

O tímido e doce Bernardo era colega de faculdade de Antônia, com quem ela mantinha um romance platônico. É ele quem vai esboçar uma investigação sobre o acidente: estaria ela embriagada, transtornada por uma briga passional, fugindo, sendo seguida?

Bernardo e Camilo não são os únicos a se ocupar dessa ausência. Polaco, a jornalista Helena, o publicitário Gustavo, o vizinho Lucas e o forasteiro Santiago estão todos ligados, entre si e a Antônia, graças a esse acontecimento trágico, que instaura outro tempo, feito de memória, dificuldade de expressão e necessidade de um novo aprendizado.