Leonard Bernstein: Gênio!

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No próximo domingo dia 25 de agosto de 2013, um dos maiores maestros de todos os tempos completaria 95 anos. Estou falando de Leonard Bernstein, um maestro primoroso, compositor ousado e um primor ao piano.

Infelizmente acordei tarde para toda a genialidade de Leonard Bernstein, mas para minha sorte comecei com o pé direito. Assistindo a uma palestra no TED sobre como liderar como maestros, tive a surpresa ao ver Bernstein em um momento antológico, desses que entram para história.

Foi ali naquele momento que fui levado de uma só vez a todo talento, daquele que hoje tenho como um dos maiores expoentes da música. Imaginem que Leonard Bernstein apresentou-se de braços cruzados, regendo a orquestra apenas com expressões de sua face e pequenos movimentos com a cabeça. Como não quero matar nenhum de vocês de curiosidade, abaixo deixo Bernstein na expressão e auge de toda sua sensibilidade e talento. A execução é da Sinfonia no. 88, 4º movimento de Haydn. Liguem o som, peça silencio e aproveitem.

Genial, não é mesmo?

Vou terminando aqui, mas não antes de deixar também o link para a palestra que mencionei no TED. Uma apresentação imperdível para quem gosta de música clássica e também para todos aqueles que gostem de um bom conteúdo inovador, inusitado e muito, mas muito interessante.

Acordando no passado

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Naquele dia acordou tarde, não porque podia, mas havia sem querer perdido a hora. Num súbito olhou para o relógio, viu as horas e saltou apressado da cama. Foi até o banheiro escovou os dentes e sentiu sua boca com gosto amargo de uma noite de sono mal dormida. Lavou o rosto e ao se olhar no espelho sentiu o peso de seus 38 anos, pouca idade para alguns, mas não para ele.

Foi lembrando devagar tudo que tinha que fazer, afinal era véspera de natal e não podia esquecer de nada. Foi então que após se vestir para sair às compras, decidiu fazer uma lista de tudo que tinha a fazer naquela manhã que na verdade á estava bem próxima do fim. Ao terminar a lista sentiu um frio na barriga e pensou que não daria tempo para resolver tudo a tempo para o natal.

(mais…)

Um dia, um café e a vida sem graça

Naquele dia acordou depressivo. Não que tivesse motivo para isso, mas sentia uma melancolia cinza e fria. Aos poucos a tal melancolia o fora consumindo ao longo de mais uma manhã sem graça, como a grande maioria de suas manhãs nos últimos meses. Tentou disfarçar e se convenceu de que sua atuação estava a contento, porém não fora essa a imagem decifrada por aqueles a quem encontrara naquela manhã. Resignado e ainda sentimentalmente confuso, avistou um Café. Passara por aquele caminho fazia anos sem que nenhuma grande mudança o alertasse significativamente, mas naquela manhã… Lá estava ele, sublime, charmoso e dotado de um magnetismo místico impossível de se negligenciar.

Como sempre estava atrasado, compromissos desestimulantes o aguardavam como sempre, rotina cruel de seus dias desinteressantes e sem graça. Sentia-se impotente diante de tentativas frustradas em promover, pelo menos até aquele momento, mudanças substanciais em sua vida. E por um minuto deixando de lado a razão e num impulso libertador, parou o carro no primeiro espaço que vira. Não se preocupou com leis que pudessem se impor ali e na verdade chegou a desejar que levassem seu carro embora, num súbito desejo por tornar aquele dia mais interessante e menos monótono que os demais.

Saiu do carro como se estivesse se libertando de tudo aquilo que viera carregando de mal naquela manhã cinza. Entrou no Café como quem já no leito de morte conquista mais alguns dias de vida. Sentou- se na primeira cadeira que avistou. Contemplou então o relógio onde vira a hora passar e sentiu um prazer sádico em ver que se atrasaria para os compromissos que o esperavam.

Parado recompondo muito lentamente sua consciência racional continuava a observar os minutos correndo no relógio imaginando o que seria necessário fazer para transformar por completo sua vida em algo mais interessante e foi então que se deu conta da presença de uma das atendentes do local: O Café. Ainda meio que sofrendo de um transe olhou para atendente e ela gentilmente lhe perguntou se desejava ver o cardápio.

Pensou, pensou e de repente algo o intrigou. Não conseguia mais lembrar quanto tempo permanecera sentado ali. Olhava o relógio mas não conseguia interpretar as horas. Em pânico novamente voltou-se a olhar para a atendente e viu que na sua frente, com olhares assustados, que havia mais que apenas uma atendente ali. Foi então que sua consciência veio retornando e ao olhar novamente viu além das atendentes mais um monte pessoas ali com olhares os mais variados, mistos de preocupação, espanto e alguns até de indiferença.

Perguntou sem especificar a quem, que horas eram e uma das atendentes lhe disse:

– SÃO TREZE HORAS.

A informação se impôs sobre ele como um soco direto no queixo. Voltou a ficar meio tonto e perdido e então soltou:

– Um expresso por favor. Estou com pressa e não posso demorar!

A atendente então ignorando o pedido perguntou de volta o arguindo se ele estava se sentindo bem.

– Bem? Estou muito bem obrigado! Apenas não consigo ler as horas.

– Ler as horas…

Nossa!!! Perguntou novamente que horas eram. A atendente então respondeu em tom já denotando sua falta de paciência.

– TREZE HORAS SR!

Ele então não disse nada. Recolheu o livro e o celular que estavam na mesma e foi saindo dizendo estar atrasado. Ao chegar na porta do Café procurou mas não localizou por ali seu carro e então pensou: Tudo certo, agora já sei que estou de volta e que tudo está normal. Seja bem-vindo a sua vida sem graça e agora sem carro! E sem pensar muito começou a caminhar sem destino.

Superlativo é viver

Tenso

Faz tempo que não escrevo aqui e o motivo não se relaciona com o fato de ter me desinteressado pelo Blog ou por aquilo que isso tudo que venho escrevendo aqui represente. É verdade que vez ou outra em intervalos não regulares deixo de lado os escritos pelos motivos mais estranhos, mas no fim tudo gira em uma mesma órbita.

Que órbita seria essa? Pode o leitor perguntar e para aqueles que já acompanham ou já leram algo que escrevi a resposta é simples de adivinhar. Não é recente a constatação de que sou extremamente inquieto com tudo que acontece com o mundo e como tais acontecimentos me transformam ou me obrigam a me transformar para que, mesmo ciente do quão irracional é me preocupar, viver em busca de algo que nem mesmo sei ao certo o que é!

As vezes paro e tento traçar rumos, planejamentos, metas e todo tipo de ação ou metodologia que sirva para me acalmar e direcionar meus esforços de maneira lógica e racional. Não preciso dizer que não venho tendo o sucesso que desejava na empreitada. É verdade que analisando o atual estágio das coisas, reconheço que possa ter havido alguma evolução, mesmo que pequena.

Entretanto mesmo essa mudança sendo grande, média ou pequena, luto para me convencer, mas a luta tem sido em vão. Luto e mesmo com muito esforço, nada se resolve em termos daquilo pelo que passo os dias em claro, dormindo pouco, lendo demais, interagindo demais, escrevendo demais, trabalhando demais…

Levo uma vida superlativa, me dedico com intensidade ímpar a tudo que disponho a realizar. Porém de que adianta levar a vida dessa forma? De que adianta viver de forma superlativa se mesmo assim não há superlativo que consiga preencher o vazio que habita meu interior e que me impõe toda essa inquietude que é viver.

De que adianta ler demais, estudar demais, economizar demais, jogar games demais, fazer esportes demais? De que adianta isso tudo? As vezes penso em desistir de tudo, as vezes penso em dar meia volta e sem olhar para traz ir embora de mim mesmo.

Desabafo? Reclamação? Inquietação? Sim isso tudo e mais um pouco. Sou isso tudo e mais um pouco..NÃO!!! Sou isso tudo e muito mais! Não pense que esse escrito é uma declaração de rendição! Afinal mesmo não tendo certeza de nada, mesmo sem saber onde isso tudo irá me levar, mesmo estando um pouco casado e ranzinzam me arrisco, ainda que possa parecer contraditório, a dizer que gosto muito de tudo isso e que quando bate essa ventania de desanimo recarrego-me me embriagando de altas doses da minha esposa, minha família, amigos, meus livros e claro meus despretensiosos, desregrados, nada periódicos e por vezes até mal escritos artigos ou poemas postados aqui no blog. É isso!

Acordando com Tchaikovsky

Não me peçam para explicar, mas hoje acordei com uma vontade danada de escutar Tchaikovsky. Sim isso mesmo, por mais estranho que possa parecer e mesmo sem ter a menor ideia da origem desse meu desejo, fui com toda minha ansiedade levantando cedo da cama, ligando o computador e executando O Lago dos Cisnes.

Não satisfeito com a música, fui obviamente para internet as pressas localizar apresentações dessa peça de balé dramático para assistir. Sem prejuízo e longe de negligenciar a excelente produção do recente Cisne Negro, filme do Diretor Darren Aronofsky que nos brindou com a irretocável atuação da atriz Natalie Portman, encontrei algumas produções curiosas.

A primeira delas que reproduzo abaixo vem da China, país que tem surpreendido com a qualidade de seus bailarinos e produções. Para os mais conservadores, vou avisando de antemão que a produção é um tando quando pirotécnica e circense, porém o lirismo da bailarina que encena o cisne branco emociona e merce destaque o close dado na bailarina ao final de uma sequência de retorcer os nervos em que ela desenvolve toda coreografia suspensa, enfim nada de spoilers! Assistam o vídeo abaixo e tirem suas próprias conclusões.

Óbvio!

Mais uma vez ele começaria outro texto. Levado quase inconscientemente tomaria em mãos seu notebook, abriria sem pestanejar o editor de texto e como viajante errante iniciaria a viagem rumo ao desconhecido. Despretensioso e inquieto demais, levaria seus dedos a percorrer novamente a as trilhas do teclado, sem rumo definido, sem velocidade controlada num descontrole completo sobre a situação.

Normalmente seguindo a rotina, abriria sua caixa mental de assuntos e ideias sobre posts, leria e pesquisaria algumas referências, faria rascunhos inúmeros e recortes de trechos soltos de texto enquanto entre uma e outra frase, interagia com uma dezena de pessoas, em outra dezena de redes sociais que nos últimos meses tornaram-se quase uma obsessão.

Foi então que revirando compartilhamentos dos mais diversos, encontrou aquilo que procurava. Lá estava ela: linda e a sua espera. Quem era ela? Como ficara ali guardada por tanto tempo? O post estava finalmente definido e naturalmente pôs-se a escrever.

Não raro fora questionado do motivo pelo qual não falara de sua amada nos posts. É verdade! Sempre esguio, encontrava forma de fugir do assunto, desviar o caminho até ficar livre das cobranças. Não que ficasse chateado com cobranças, mas no fundo tinha medo e então, covarde, fugia, fingia e evitava reconhecer o óbvio. Sempre fora imaturo em seus relacionamentos afetivos e temendo ser visto como fraco por anos reprimira seus sentimentos fechando-se numa carapaça abrutalhada e carrancuda, acreditando ser esse o caminho para firmar-se como homem.

Os anos passaram e com eles a maturidade afetiva foi florescendo bem aos poucos. O medo transformava-se aos poucos, é verdade, mas aos poucos foi sendo superado dando espaço aos seus sentimentos mais reprimidos. O tempo e paciência dedicados pela companheira foram transformando o solo, antes infértil. O amor entre eles, agora casados, firmara-se ainda mais e eis que num dia aparentemente comum…

Lá estava ela linda a sua espera. A ideia, o post, o reconhecimento, a humildade, o amor. Isso tudo para apenas para encontrar forma de lhe dizer que você está em tudo que sou, em tudo que escrevo, em tudo que desejo. Não procures o óbvio em minhas palavras ou em minhas atitudes. Saiba que nesses 12 anos em que estamos juntos, nem mesmo por uma milésima fração de um único segundo deixo de pensar e de carregar você comigo. Você, meu amor, está em tudo que faço em tudo que sou! Eu te amo! Óbvio!

Le fabuleux destin d’Amélie Poulain

A sétima arte sempre me emocionou. Quando assisto a um filme verdadeiramente entro em plena sintonia com os personagens e durante aquele instante em que a trama se desenvolve me envolvo por completo. É então que não importando se no cinema, a sós ou acompanhado, na presença de estranhos ou desconhecidos reajo, choro e me enfureço em cumplicidade com os personagens.

Para aqueles que não me conhecem antes de iniciar definitivamente o post é importante informa que tanto para música como para cinema tenho preferências nada lineares. Isso quer dizer que transito facilmente entre filmes de heróis, ação, aventura, suspense e drama. Apesar do perfil eclético é inegável que alguns filmes nos transformam mais que outros e a sessão de cinema em casa ontem trouxe um desses filmes, digamos mais transformadores. O leitor deve estar se perguntando a essa altura, qual filme responsável pela transformação ao ponto de merecer um post aqui? O filme Le Fabuleux Destin d’Amèlie Poulain (França 2001) foi o culpado. Sentença e condenação dadas vamos ao que interessa.

A história se passa em Paris e conta a história de Amèlie Poulain, jovem que fora criada pelos pais em regime de isolamento em sua casa, por desconfiarem que ela possuía doença cardíaca. Depois de crescida e independente Amèlie passa a ajudar as pessoas que estão à sua volta ou que de alguma forma fazem parte de seu cotidiano. O que ela não poderia imaginar é que todo o bem que causara acabaria por criar um forte elo entre ela e as pessoas às quais ajudou e por fim determinaria seu destino culminando em um interessante final em que o desfecho amoroso da personagem atinge seu ápice. Terá sido feliz no amor? Terá sofrido forte desilusão? O fim deixo a cargo do leitor a descoberta.

História de enredo simples e por vezes até inocente, o filme tem um magnetismo impressionante e ao final de 120 minutos deliciosos na companhia de Amèlie Poulain somos levados a um mundo desconhecido para alguns e pouco visitado por outros: o mundo mágico e harmonioso das amizades descompromissadas e verdadeiras. Um belíssimo filme que certamente e por nossa sorte já se encontra eternizado nas telas de cinema, DVD`s e outras tantas mídias.

Para finalizar uma curiosidade. Cheguei até o filme por um caminho não muito convencional. Tive um primeiro contato com a trilha sonora que tal como não poderia deixar de ser, é tão apaixonante quando o filme e cativado pelos acordes fui levado até o filme, um caminho meio inverso ao que costumo percorrer. Enfim termino o post deixando ao leitor o belo trailer do filme onde se pode ter uma parte ínfima do filme e de sua trilha sonora, mas que certamente cumprirá seu papel de despertar curiosidade, onde espero ser suficiente para que todos possam assistir.