Economia

[ProsaEconomica] – Artigo compartilhado: Réplica

Réplica

maio 31, 2011

tags: postado por Luiz Henrique Pacheco

por Prosa Econômica

Muito embora a atividade intelectual dê temperança em muitos momentos para lidar com o embate de ideias, há momentos em que a arrogância aliada à preguiça intelectual nos faz surtar. Isso aconteceu comigo duas vezes num intervalo inferior a doze horas e com uma única pessoa, o jornalista Paulo Moreira Leite, o “Paulino” como é afetuosamente chamado pela apresentadora Marília Gabriela, do Roda Viva, programa da TV Cultura.

A primeira situação ocorreu ontem. O economista Eduardo Giannetti da Fonseca que eu tenho em grande conta concedeu uma entrevista ao referido programa de entrevistas. Muito lúcido e comedido, com intrincada lógica argumentativa, quando não era interrompido pelos afoitos entrevistadores, o Professor Giannetti respondia com cordialidade as questões muito mal formuladas. Mas o jornalista Paulinho se excedeu e ficou indignado com as declarações publicadas por Giannetti na imprensa de que o PIB de 2010 não é tudo aquilo que se dizia, entendendo que as declarações tinham cunho eleitoral e nenhum fundamento econômico.

A segunda ocorreu quando o nosso internauta Anderson Mattozinhos nos enviou um link da matéria de hoje do Paulino “Economistas erraram de novo”, que está no site da revista Época.

Pois bem, o nobre colunista claramente não está iniciado nos conceitos mais básicos de teoria econômica, proferindo tautologias do tipo: “o setor exportador é responsável por trazer os dólares.” Ou interpretando segundo a sua regra de juízo a teoria keynesiana do emprego. E o pior, mostrando total desconhecimento da teoria das expectativas para a formação da inflação, nem tendo o trabalho de fazer uma rápida pesquisa para descobrir por que existe um centro de meta inflacionária e dois intervalos limitados (teto e piso). Eu acredito que ele deve ser especializado em política, pois claramente seus argumentos tendem para aspectos políticos.

A sua estrutura argumentativa, é construir uma alegoria de “profissionais da oposição”, em geral, economistas que faziam declarações públicas para atacar o governo Dilma, dizendo que esses tratavam as políticas do BC com “ironia e sarcasmo”.

Quem tenta usar a ironia e o sarcasmo nessa crítica é ele, mas sem sucesso. Nesse caso particular, se de fato tivesse lido Keynes, poderia ter pegado algumas dicas de retórica.

O objetivo do artigo dele é sugerir uma autocrítica aos economistas. Ele mais uma vez parece desconhecer que a autocrítica na nossa profissão é muito comum e profícua. Os marginalistas criticaram os clássicos e romperam com a teoria do valor. Keynes criticou os neoclássicos e mais uma vez houve grande ruptura na teoria econômica. Até na historiografia econômica brasileira recente há autocrítica. Os intensos debates dos monetaristas no fim da década de 80 permitiram um plano econômico maduro em 1994 para tirar a economia da anomalia hiperinflacionária.

Eu queria sugerir uma autocrítica à classe dos jornalistas também. Um texto como o do Paulo Moreira jamais seria publicado num grande site se a figura do editor de redação inspecionasse o conteúdo dos blogs dos conglomerados de notícias. Grave desconhecimento em um assunto que se quer criticar aliado à deselegância é pior do que uma previsão mal entendida pelo jornalista.

Eu poderia me alongar no texto, mas como já fui prolixo demais, sugiro aos leitores do blog para não perderem seu tempo lendo esse tipo de jornalista, que é cheio de som e fúria, mas pouco preciso ou, por que não, vazio nos argumentos.

Artigo publicado no blog ProsaEconomica [http://prosaeconomica.com]

Link para artigo: http://prosaeconomica.com/2011/05/31/replica/

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[ProsaEconômica] – Artigo compartilhado

O artigo acima foi publicado no blog ProsaEconômica (http://prosaeconomica.com) tendo sido fomentado por um artigo que li no site da Revista Época, escrito pelo Jornalista Paulo Moreira Leite que utiliza um veículo respeitável e de credibilidade como a revista para expressar seus julgamentos pessoais e juízos de valor. Não obstante a postura nada profissional e ética do jornalista, o mesmo em artigo com nome: “Economistas erram de novo” ainda aproveitou para humilhar e ofender em flagrante falta de ética todos os economistas que como qualquer outra profissão merece respeito!

Agradeço ao ProsaEconomica pelopost, pela qualidade da resposta e por me citar como fonte.

Anderson Mattozinhos

The Economist prevê crescimento de gastos com publicidade na web

Pesquisa realizada pela Revista The Economist identifica que gastos com publicidade on line vem crescendo a u ritmo acelerado e estimativas dão conta de que para 2011 o crescimento promete crescer ainda mais, podendo dobrar em comparação com o ano de 2010. Contrariamente ao aquecido mercado de publicidade on line, as mídias impressas promete retrair-se tornando ainda mais complicada a vida de veículos de mídia como revistas e jornais.

Segundo a revista The economist os gastos com publicidade impressa tendem a se retrair algo em torno de 1% em 2011, parece pouco é verdade, mas se contados os dados de anos anteriores certamente a cifra será ainda maior. A pesquisa reforça ainda que os gastos com publicidade televisiva também está apresentando tendência de elevação, sustentados principalmente pelo perfil dos consumidores de países emergentes, onde o veículo ainda é um dos principais meio de penetração de peças publicitárias junto ao mercado consumidor.

Abaixo no gráfico segue a análise da The Economist com a projeção de gastos para 2011, segundo pesquisa realizada e compara aos dados de gastos para o ano de 2007.

O consumidor mais atendo já vem percebendo a mudança de perfil nesses gastos pelo reforço que grandes empresas vem concentrando para alavancar suas vendas em lojas online. Acompanhado pelo crescimento dessa modalidade de compra pela internet o mercado promete uma ano de muitas surpresas onde fusões e aquisições certamente estarão na pauta de grandes grupos varejistas. O ano ainda promete ser um marco ao comércio digital com crescimento proporcionado pelo avanço com que famílias da classe média vem adquirindo produtos tecnológicos e mudando radicalmente seu perfil de consumo, assim como a geração Y que estará em plena idade econômica e produtiva e como todos já sabem estarão ainda mais ávidos por produtos de tecnologia e games.

Enfim vamos aguardar e torcer para que as publicidades online, sejam mais do que um veículo para nos entupir de spans e de produtos que nem de longe refletem nosso perfil e passem a ser o lado ainda mais criativo do mercado publicitário.

Liberdade: parece, mas não é!

Os rompantes não se calaram, muito menos recrudesceram. O ímpeto de controle e cerceamento promete não arrefecer e nós enquanto seres pensantes e cidadãos, não iremos calar. As idas e vindas da personalidade autoritária e arbitrária do Governo Brasileiro veio para ficar e pelo cenário atual teve prazo de validade prolongado para mais quatro anos.

O discurso da Presidente eleita Dilma em sua posse, tão emblemático e tranquilizador quanto à manutenção prometida da liberdade de imprensa e da repulsa à censura, não emplacou sequer até a virada para o próximo ano. Não é segredo para ninguém que o atual Governo vem promovendo um constante embate com a mídia, considerada culpada mor por todos os escândalos e tida como principal artífice de um golpe contra o Governo e seus signatários, que nunca existiu e que sem medo de errar, afirmo que sequer possa ter sido cogitada, seja pela oposição seja por qualquer outra corrente da sociedade civil.

Os episódios foram muitos ao longo do Governo. Começamos pelos mandos e desmandos do insano Ministro Franklin Martins que ejetado dos meios de comunicação passou a perseguir tudo e todos que no exercício dos direitos garantidos na Constituinte de 1988, mantiveram cobertura ímpar dos escândalos, processos, roubos, prevaricações, mensalão, dinheiro em cueca e tudo mais que pudemos acompanhar amplamente em tudo que é órgão independente e sério de imprensa. Descemos o degrau infeliz até o triste episódio ocorrido com o Grupo O Estado de São Paulo, quando da censura duramente encabeçada pelo coronel Sarney e sua brigada política armada com contatos dos mais escusos e condenáveis em relacionamentos com representantes da justiça. Sem nada a perder com apenas mais uma mancha em sua história, o Senador expos a ferida ainda não cicatrizada das ditaturas e reduziu o Brasil a patamares de países como Venezuela e Bolívia, verdadeiros antros do autoritarismo, da violação dos direitos civis e dos direitos humanos que nos envergonha como cidadãos Sul-americanos que somos.

Tudo isso culminou em nada, absolutamente nada impondo-nos a vergonha e a insensatez de um órgão de imprensa estar sob o manto negro da censura há quase quinhentos dias.  Negamos assim uma de nossas mais célebres e imponentes conquistas, motivo de orgulho, não nacionalista, mas sim humanista, de reconhecimento e defesa da pluralidade e da mais pura liberdade: A Constituição da República de 1988.

Não contente em borrar por completo as conquistas democráticas brasileiras e com claro objetivo de enviar mensagem a todos aqueles iludidos com as palavras serenas e firmes, presentes no discurso da Presidente Eleita quando de sua posse, presenciamos todo o compadrio da horda censuradora no evento da posse. O aviso fora muito claro e mesmo embriagado pela declaração da Presidente eleita em que ela diz: “Prefiro mil vezes o barulho da imprensa que o silêncio das ditaduras”, fui tocado por um sentimento de descrença.

Pouco tempo se passou desde o discurso de posse e as entrevistas exclusivas e entramos no período de namoro em que suplantamos os defeitos, concentramos as atenções às qualidades e fazemos votos de amor e de cumplicidade com o governante eleito. Celebramos a democracia, mesmo com convicções e opiniões divergentes e cientes da justiça do processo democrático assumimos os novos atores que comandarão o espetáculo Brasil no futuro.

Ao assumirmos como Nosso o novo Governo e seu Projeto, não há nenhum compromisso nem sequer a menor intensão em ser conivente aceitando que seja ignorado todo nosso passado de lutas pela liberdade democrática e pelo amplo diálogo em detrimento de instrumentos autoritários cerceadores de direitos fundamentais. Afinal é cada vez mais intrigante e decepcionante como que boas ideias e bons discursos se embriagam na cachaça do Poder pelo Poder. Igualmente intrigante é perceber como boas intensões sofrem mutações e crescem semeadas em terrenos antes imprestáveis, mas que regados e adubados pela ganância e pela volatilidade moral acabam por culminar em projetos como o de controle da imprensa, conhecido também como autoritarismo, censura, injustiça, para citar apenas os mais leves.

Sobre programas sociais e transferência de renda

Ao ler o artigo no blog não pude conter meu comentário sobre transferências de renda. Todos sabem da importância das transferências para as famílias e considero acertadas as políticas praticadas sendo as mesmas, conforme muito bem colocado no artigo do Blog Prosa Econômica, importantes para a manutenção das rendas de famílias socialmente desfavorecidas.

É igualmente importante destacar sobre o tema, qual fonte de recursos de Governo, Estados e Municípios mantém tais transferências. Hoje sabemos em vários casos que políticas assistencialistas são mantidas a troco da oneração tributária que como não bastasse ser uma das maiores do mundo, acaba incidindo e sufocando cada vez mais a parcela da população menos favorecida economicamente.

Acredito que seria possível e socialmente muito mais aceitável que o Governo promovesse desonerações tributárias como forma de transferências sociais.
Diferentemente da pura e simples transferência de renda que aleija o trabalhador e o coloca cada vez mais dependente e a margem do mercado de trabalho, desonerações tributárias tendem a criar impactos gerando um ciclo virtuoso em que consumo e nível de emprego seriam impactados positivamente resultando ainda no aumento o bem estar, da renda e da qualidade de vida não somente dos menos favorecidos, mas também das classes C, D e classe média.

A desoneração tributária como política de transferência de renda, não elimina a responsabilidade do Estado e criar condições para melhoria na educação em seus diversos níveis. Sem melhorias em educação os efeitos da desoneração tornar-se-iam limitados e de efeitos pouco transformadores.

Por fim novamente ressalto a importância em reconhecer a eficácia dos programas de transferência de renda praticados hoje por todas as esferas de Governo, mas acredito que tais efeitos apesar de gerarem resultados consistentes no curto prazo, pouco contribuem para mudança do quadro de pobreza e distribuição de renda no Brasil.

Resta-nos a torcida para que a reforma tributária amplamente discutida, mas ainda sem previsões de curso no executivo, possa incluir formas de transferir renda e também de dar condições para que aqueles menos favorecidos passem a ter condições de exercer plenamente sua cidadania não apenas como povo, mas também como ser econômico ativo, trabalhador e Ser independente.

Blog Prosa Econômica

Há algum tempo venho acompanhando o desenvolvimento do Blog Prosa Econômica e aproveitarei este espaço para replicar alguns artigos interessantes e muito bem escritos dos já amigos editores do Blog. Aproveitarei alguns ganchos do Prosa Econômica para direcionar alguns artigos meus ou comentários a respeito, nesta fase em que retomo algums artigos direcionados a minha área profissional.

Não paro de escrever também sobre cultura e mesmo de publicar outros escritos de experiências, poemas, contos, etc. Espero que gostem da mistura.

Abaixo primeiro artigo do Blog Prosa Econômica:

Estudo indica que 18,7 milhões de brasileiros vivem na pobreza extrema

Por Jorge Ikawa

Recentemente o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou estudo sobre os impactos de políticas sociais para a redução da pobreza no Brasil. O documento traça um paralelo entre quatro momentos do país (anos de 1978, 1988, 1998 e 2008) e, com base na análise dos dados referentes a transferências monetárias da previdência e assistência social, conclui que houve um grande avanço nesta área nos últimos 30 anos.

De acordo com a publicação, em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza extrema (renda per capita inferior a ¼ do mínimo). Apesar do absurdo deste dado em si (aproximadamente 10% da população, com base na contagem populacional do IBGE de 2007), o número atingiria 40,5 milhões se não fossem contabilizadas as transferências.

O avanço nesta área é constatado quando os números mais recentes são comparados com os de 1978, quando 26,9 milhões de pessoas sobreviviam com menos de ¼ do mínimo (seriam 31,8 milhões sem as transferências) .

Estas informações corroboram um dos dez princípios básicos da economia, expressos por N. Gregory Mankiw em Introdução à Economia, segundo o qual “às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados”. Neste caso, políticas sociais auxiliam na equidade ou, como costumam dizer alguns, a melhorar a distribuição do bolo econômico.

Além dessa conclusão, outro destaque do estudo fica por conta do levantamento sobre a importância que as transferências assumem para a composição da renda familiar. Para a população brasileira, em média, 19,3% da renda familiar auferida é proveniente de transferências. Lidera a lista neste quesito o estado do Piauí, com 31,2%, seguido por Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e Ceará, respectivamente.

No entanto, esses dados “escondem”, de certa forma, outra realidade: a forma como os recursos são distribuídos. Nesta divisão, São Paulo lidera as transferências, com 23,5% do montante (embora este valor corresponda a 16,4% da renda familiar do estado). Na sequência aparecem Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia. Chama atenção o fato de 50% do valor destinado a essas políticas ser voltado ao Sudeste.

Referências:

http://www.ibge. gov.br/

http://www.ipea. gov.br/portal/ images/stories/ PDFs/comunicado/ 100722_comunicad oipea59.pdf

Introdução à Economia – Mankiw, N. Gregor

FONTE: Blog Prosa Econômica – Site: http://prosaeconomica.wordpress.com/