Para Ler

Semana de Arte Moderna – 90 anos

Cartaz Semana de Arte Moderna 1922

 

Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro do ano de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, há quase exatos 90 anos acontecia uma das mais expressivas, senão a mais expressiva, renovação da cultura brasileira. O movimento chamado de Semana de Arte Moderna promoveu por meio de experimentações diversas uma ruptura com o passado cultural brasileiro lançando para nossa sorte, aqueles que transformariam o caminho pelo qual vinham sendo conduzidas as artes brasileiras.

O movimento contou com nomes sagrados da cultura brasileira à época até os dias de hoje como: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti dentre muitos outros. E foi assim que escritores, poetas, pintores, maestros e músicos entraram em definitivo para a história da cultura e das artes brasileiras e do mundo.

Mário de Andrade (primeiro à esquerda, no alto), Rubens Borba de Moraes (sentado, segundo da esquerda para a direita) e outros modernistas em 1922, dentre os quais (não identificados) Tácito, Baby,Mário de Almeida e Guilherme de Almeida e Yan de Almeida Prado

 

Hoje este escritor desregrado e certamente um dos escritores menos lidos de que se tem notícia, para em plena madrugada para relembrar este que foi um dos mais importantes e inspiradores movimentos de renovação cultural de que se tem notícia por aqui. Como complemento e também na tentativa de amenizar as palavras ainda muito aquém de nomes como aqueles citados acima, reproduzo dois vídeos veiculados pelo site do Jornal O Estado de São Paulo com declamações dos poemas:  “Paisagem nº1” e “Inspiração” de Mário de Andrade realizadas pela Professora Telê Ancona. Abaixo seguem os vídeos.

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Vook?

O mercado editorial não vem deixando por menos e em plena era da tecnologia, do visual e claro da internet, vem nos surpreendendo a cada dia. Mais ou menos a três semanas atrás publiquei aqui no blog um post sobre trailer de livros, uma maneira atraente e atual de atrair público leitor. O dinamismo que o setor editorial vem consolidando nos últimos anos chega a surpreender até aos mais recatados e conservadores leitores.

Tudo indica que a velocidade com que novas formas e formatos editoriais serão cada mais responsáveis por cativar novos leitores, por estar alinhada com o contexto em que estes novos amantes da literatura se inserem.

Penso que o livro vem experimentando um nível de interatividade e contemporaneidade como nunca poderíamos sequer imaginar. Um exemplo interessante reside no conceito denominado VOOK. Nascido da junção das palavras Vídeo + Book o VOOK vem prometendo revolucionar a forma como nos relacionamentos e devoramos nossos livros.

Interatividade, movimento e ação são apenas alguns dos pilares do VOOK que abre caminhos para se consolidar como ferramenta importante de sedução aos novos leitores, jovens e inseridos a cada dia mais cedo no mundo colaborativo da web.

Separei dois vídeos interessantes sobre VOOK que acredito serem bons exemplos para ilustrar mais essa inovação do mercado editorial e que em breve certamente estará em nossos smartphones, tablets, TV`s, dentre muitos outros eletrônicos que estão por ai. Aproveitem os vídeos.

Para Ler: Lançado no Brasil Biografia de Virginia Woolf

Não poderia haver momento mais oportuno para a chegada ao Brasil da Biografia da autora Virginia Woolf do que as festas de fim ano. Propositalmente ou não o livro de Herbert Marder sem dúvidas deverá ser um dos presentes favoritos daqueles não largam um bom livro e principalmente dos que admiram Virginia Woolf como escritora.

Comecei a ler a obra de Virginia Woolf por pura curiosidade. Como economista durante os tempos de estudante, estudei e li muito, como todo aluno de economia, sobre Maynard Keynes, também inglês e um dos principais pensadores de todos os tempos no campo das ciências econômicas. Não me lembro onde me deparei com a referência à obra de Virginia Woolf, mas em alguma de minhas leituras da época li que Virginia Woolf formara em sua casa um grupo de discussão entre amigos chamado de Círculo de Bloomsbury do qual participaram o poeta T. S. Eliot, o crítico de arte Roger Fry e o economista John Maynard Keynes.

Logo após terminar todo o período das provas em que ficava concentrado restritamente à leitura de autores da área econômica, fui em busca dos títulos da escritora Virginia Woolf. Li primeiramente As ondas (1931) e daí por diante fui lendo mais algumas obras e experimentando todo vigor dos escritos da autora.

Abaixo segue a referência da biografia de Virginia Woolf que apesar de ainda não tido a oportunidade de ler, tenho certeza de que será um excelente presente. De minha parte já preparei para coloca-lo como lista de desejos em algum amigo oculto por ai, quem sabe não dou sorte e se tiver me comportado algum papai noel me presenteia com ele no natal? Abaixo os dados da publicação:

Título: Virginia Woolf: A Medida da Vida

Autor: Herbert Marder

Tradução: Leonardo Fróes

Texto de orelha: Maria Rita Kehl

Idioma: Português

Editora: Cosac Naify.

Recomendo o link com infográfico sobre a trajetória de Virginia Woolf feito pelo jornal Estadão que pode ser acesso pelo link:

http://www.estadao.com.br/especiais/a-trajetoria-de-virginia-woolf,133871.htm

Para aqueles insaciáveis, abaixo seguem os livros da autora:

Livros

A viagem (The Voyage Out) (1915)

Noite e dia (Night and Day) (1919)

O quarto de Jacó (Jacob’s Room) (1922)

Mrs. Dalloway (1925)

O Leitor Comum (The Common Reader) (1925 – Primeiro volume)

Rumo ao farol (To the Lighthouse) (1927)

Orlando – Uma biografia (Orlando: A Biography) (1928)

Um Teto Todo Seu (A Room of One’s Own) (1929)

As ondas (The Waves) (1931)

O Leitor Comum (The Common Reader) (1932 – Segundo volume)

Flush (Flush: A Biography) (1933)

Os anos (The Years) (1937)

Roger Fry (1940)

Entre os atos (Between the Acts) (1941)

Contos Completos (1917-1941)

Sobrenatural

Chegou em casa do trabalho com uma carga extra de tensão, elétrons saltavam fora de sua órbita cerebral, fugindo da intensa reação eletromagnética desencadeada por sensações estranhas que o incomodaram durante todo o dia. Sem saber a origem exata de todo aquele peso extra, jogou-se no sofá e então passou por um breve cochilo.

Acordou sem saber por quanto tempo permanecera ali sentado sozinho meio adormecido meio lúcido refletindo sobre todos os acontecimentos do dia. Foi então que sentiu novamente a sensação estranha que o incomodara durante todo o dia. Levantou-se, alongou o corpo dolorido e ao abrir os olhos devagar, olhou para o sofá de veludo preto e se viu ainda deitado lá adormecido. Num súbito arranco respirou como se tivesse prendido a respiração por tempo demais e estivesse a beira de sufocar. Tudo escureceu e sentiu que iria desmaiar e não viu mais nada.

Acordou novamente. A sensação de sufocamento apagara da memória o ocorrido e não mais se recordava de ter veistoa si mesmo dormindo no sofá tendo acordado da primeira vez. Sem preocupar-se com o sufocamento durante o cochilo, pensando ser mais um episódio de apneia durante o sono, resultado do cansaço e do stress, levantou-se e foi vagar pela cozinha a procura algo para comer. Realizara uma busca completa sem encontrar nada que o apetecesse para aquela hora e contentou-se com uma generosa colherada de leite condensado.

Continuou a vagar pela casa percorrendo o caminho rotineiro de todos os dias. Saiu da cozinha, passou pela sala, pegou a mochila, subiu as escadas. Chegando ao segundo andar da casa teve um insight, um lampejo, algo como um flash. Lembrou então que naquela noite acordara duas vezes. Como seria possível isso acontecer? Lembrou-se de ver a si próprio deitado no sofá adormecido, mas isso não fazia lógica alguma e pensando estar enlouquecendo se perguntou:

– Como posso ter acordado e ao levantar me deparar comigo mesmo ainda adormecido no sofá?

Continuou a vagar pelos cômodos do segundo andar, passou pelo escritório, biblioteca e por fim chegando ao corredor que dava acesso ao seu quarto se deparou novamente consigo mesmo, mas dessa vez não mais adormecido e sim acordado, de pé bem ali na sua frente. Um frio intenso começou a tomar conta de seu corpo, suas pernas estremeceram, aos poucos viu os sentidos se esvaírem um a um. Não conseguia entender o que se passava e teve medo de tentar se comunicar consigo mesmo ou com aquele outro eu que estava diante dele. Sentiu um pequeno choque bem no meio de seu cérebro, sua visão foi ficando turva, a respiração lentamente foi cessando enquanto o coração acelerado já demonstrava medo.

Alguns segundos se passaram e William desmaiou de vez. Durante os nano segundos de sua queda tentara entender sem sucesso como poderia haver dois Willians no corredor? O que estava acontecendo com ele?

O corpo caiu! William perdeu os sentidos. Estirado no chão, sozinho em casa, respiração fraca, sequelas e escoriações da queda…

Morto ou vivo? Sonho ou surrealidade? Delírio ou sobrenatural? O corpo caiu, no chão William permanece desacordado. Apesar de morar sozinho, repentinamente e sem explicação, surge um homem alto vindo do corredor, passos firmes, pouco cabelo, olhar enigmático, ares malignos e mãos que mais pareciam garras. O homem aproxima-se de William, vira seu corpo, olha bem para seu rosto. Imediatamente um frio intenso toma conta de sua região abdominal, enquanto paradoxalmente sua cabeça aquece deixando suas orelhas quentes e seus olhos ressecados e também vermelhos. Sem reconhecer a casa e nem ao menos conseguindo lembrar como fora parar ali, o homem coloca William no quarto, tenta reanimá-lo e quando William acorda… Continua…

Trailer de que?

Já faz algum tempo venho pesquisando e tomando contato com novas formas de me relacionar com a literatura. Essa busca de início mera curiosidade foi evoluindo chegando hoje a ser necessidade constantemente presente em meus dias. A paixão por livros e literatura me fez enveredar por caminhos nada convencionais e não raro às vezes acho que me transformei em uma pessoa excêntrica demais ou quem sabe até meio doido mesmo.

O fato é que minha vontade de promover a literatura e sua magia tem dado alguns bons frutos. Um dos principais deles foi a descoberta de que é possível com alguma criatividade tornar a leitura algo tão atraente como qualquer outro meio de difusão cultural. Aqui no blog vou passar a postar mais sobre essas experiências e descobertas de soluções que podem ajudar a disseminar o interesse e a regularidade da leitura nas pessoas, principalmente nos jovens.

A descoberta que relato aqui hoje é na minha opinião uma adaptação das mais criativas. Algumas editoras tem se esforçado na criação de trailers de livros que são lançados. A função do trailer é divulgar o lançamento do livro de maneira mais interessante, utilizando para isso mídias com alcance de massa maior do que as resenhas publicadas em jornais, revistas ou mesmo os sites, ainda muito estáticos (WEB 1.0?) das editoras.

Com o vídeo (trailer) cria-se um ambiente amistoso àqueles ainda iniciantes na leitura e facilita a disseminação da divulgação em redes sociais como Twitter, facebook ou sites de vídeo como VIMEO ou YouTube. Estando presente em redes sociais com linguagem moderna e vídeos bem dirigidos, as editoras atngem um público até então alheio aos lançamentos, dado o contato ainda muito tímido e em alguns casos até inexistente com resenhas e outras formas convencionais de divulgação de lançamentos editoriais.

Pode parecer ambíguo divulgar lançamento de livros em trailers como filmes de cinema e alguns mais céticos podem até mesmo duvidar de sua efetividade como meio de propagação de lançamentos, mas nesse ponto peço desculpas aos céticos de plantão, pois na minha opinião essa ideia ainda vai descobrir muito leitor preso em seus armários virtuais na web como Twitter, Facebook, Blogs ou YouTube. A meu ver redes sociais, filmes, blogs e web nada mais são que meios de comunicação onde a leitura está e sempre estará presente, seja em apenas 140 caracteres ou em grandes vídeos com legendas e outros tantos mais. Abaixo dois exemplos de trailers de livros. O primeiro compartilhado pelo usuário do YouTube de nome FelipeCaspian que ao que tudo indica foi fruto de produção independente e de muita qualidade a meu ver. O Segundo mostra vídeo da editora companhia das letras muito bem produzido. Aproveitem!!!

Leitura: paixão, diversão, vício e salvação

Pequenas coisas feitas com cuidado, carinho e competência movem o mundo, nos tiram da inercia de nossas vidas e invariavelmente são responsáveis por demonstrações genuínas daquilo que realmente somos e acreditamos.

Hoje uma iniciativa simples, (não faço aqui menção depreciativa, muito pelo contrário) transformou o dia fazendo ressurgir em mim um sentimento ingênuo, que há tempos não experimentava. Fez voltar aos tempos de menino, fez lembrar do tempo quando tudo o que importava era gostar de fazer algo.

Fazia de graça, nem elogio cobrava, muito menos esperava mais do que o simples prazer em fazer. E pela vida as vezes esquecemos como é bom fazer algo apenas por gostar de fazer. Fazer sem esperar recompensa, fazer por amor, fazer por festa, doar-se. E mesmo quando doamos acabamos por receber em troca o cansaço como pagamento, mas não aquele cansaço que esgota, mas sim aquele cansaço de conquista, vitória, prazer.

Após muito navegar pelas redes sociais foi então que encontrei uma espécie de portal. Entrei e fui levado a um manifesto muito peculiar. Nada de documentos burocráticos, nem petições online ou abaixo assinados, nada disso! Fui levado a um manifesto pela cultura, pelo prazer de ler, pela leitura, pelos livros, enfim um manifesto como há muito não encontrava na internet.

A favor da leitura publico esse post. A favor da leitura vou divulgar o vídeo abaixo e peço aos poucos que passam por aqui que façam o mesmo. Vamos transformar o mundo em um lugar melhor, vamos divulgar nossos livros favoritos, vamos incentivar a leitura! Boa leitura!

Os créditos pelo vídeo são de Marcos Felipe.

 

Novos amigos, velhos amigos

Nunca fui ao menos até agora, uma pessoa das mais saudosas. Sempre resistente, alimentei certo sentimento de desapego pelas coisas desde muito cedo. Estranhamente acreditava ser possível simplesmente isolar-me daqueles momentos em que sofremos angústias e desilusões em nossas amizades, relacionamentos amorosos ou até mesmo no uso de nossos objetos pessoais, livros, ambientes virtuais e outras tantas tralhas com as quais vivemos o cotidiano de nossa vida. Acho estranha a relação que passei a ter com certos objetos com os quais me relaciono tão intensamente particular, que por vezes acredito ter enlouquecido.

Para aqueles poucos que perdem o tempo lendo as bobagens mal escritas e completamente irrelevantes deste blog, não apresentará novidade alguma o fato de eu dizer que possuo uma relação íntima demais com os livros. A novidade agora é que recentemente passei essa obsessão, mania, ou seja como for que os psicanalistas nomeiam essas coisas, com quadros. Quadros com pinturas na expressão concreta da arte e outros muitos compostos apenas de figuras impressas de obras que podem ser compradas pela internet que de acordo com minhas preferências fui selecionando, contemplando e com algumas poucas acabei comprando, emoldurando e pendurando pelas paredes da casa. Sempre me intriguei com o fato de tratar os livros praticamente como pessoas amigas que sempre quando necessário estão disponíveis para aconselhar-me, divertir-me e até mesmo me instruir profissionalmente. Agora como se já não estivesse com manias demais passei a esboçar e a considerar os quadros da mesma forma.

Ainda esta semana surpreendi a mim mesmo parado por um tempo que não serei capaz de precisar, fitando aquele quadro pendurado na parede como se por esse tempo eu estivesse sido transportado para o momento retratado na pintura. Parado ali, por tempo indeterminado o qual não sei precisar, invadi a realidade da criação do artista, passei a sentir em todas as dimensões e sentidos aquela obra, tornei-me parte dela numa experiência única até então. Ao “acordar” senti algo diferente, estava sereno sentia que de alguma forma aquela experiência transformara-me. E foi assim que aos poucos retornei aquela outra realidade, estava novamente na minha sala, fitando a pintura, novamente a vendo como uma simples obra de arte.

Acho que nunca vou conseguir explicar alguns sentimentos que tenho e nem mesmo sei se gostaria ou suportaria a explicação deles, mas de uma forma ou de outra haverá sempre boas lembranças e bons momentos merecedores de um texto, mesmo que mal escrito, para gravar esses momentos em que tenho como amigos: autores, pintores, livros e quadros a me socorrer com seus conselhos, me distrair com suas viagens, aventuras e tramas e formar como pessoa: mente e espírito, realidade e ficção.